A maré não está boa para Ratinho Junior e Guto Silva
Se existe um tema que insiste em assombrar o Palácio Iguaçu, ele atende por um nome simples: água. Falta água em Guaratuba, há problemas graves de atendimento de emergência em Paranaguá e agora o mar avança sobre Matinhos, expondo fragilidades justamente onde o governo mais investiu em imagem. Para a gestão de Ratinho Junior, tudo o que envolve água virou sinônimo de desgaste político.
Em Matinhos, a situação chama ainda mais atenção pelo volume de recursos públicos envolvidos. A praia foi alargada em até 100 metros, ao longo de 6,3 quilômetros, do Canal da Avenida Paraná até o Balneário Flórida. A chamada engorda da praia integra o Projeto de Recuperação da Orla de Matinhos, que soma R$ 314,9 milhões em investimentos. Trata-se de uma das maiores intervenções costeiras do país, vendida como símbolo de modernidade, segurança ambiental e planejamento de longo prazo.
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Bastou, porém, uma ressaca marítima para que a realidade cobrasse explicações. A maré alta provocou erosão em trechos da orla e quase alcançou a estrutura montada para os shows do Verão Maior. Oficialmente, não houve danos. Politicamente, houve sim. Como justificar um investimento de mais de R$ 300 milhões que, diante de um evento previsível no verão, revela vulnerabilidades tão rapidamente?
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O contraste é inevitável. Enquanto cifras milionárias são mobilizadas para grandes obras e eventos, serviços básicos seguem falhando. Guaratuba enfrenta falta de água em plena alta temporada. Paranaguá convive com escassez de ambulâncias. Matinhos, mesmo após uma obra bilionária, volta ao noticiário por causa da força do mar. A sensação é de que o governo apostou mais na estética da obra do que na resiliência real da infraestrutura.
E os vazamentos não param por aí. Além da água que avança ou falta, o governo tenta administrar o impacto do vazamento de áudios que indicam um possível esquema para pagamento de dívidas de caixa dois da campanha, com suspeitas recaindo sobre a articulação política sob o suposto comando de Guto Silva. Assim como na orla, tenta-se conter os danos com notas e discursos, enquanto a pressão pública cresce por esclarecimentos objetivos.
No Paraná de hoje, água virou metáfora perfeita da gestão. Vaza na política, falta no abastecimento e avança onde bilhões foram gastos para contê-la. O verão, vendido como vitrine de sucesso, transformou-se em espelho incômodo. Porque, quando a maré sobe, não é a propaganda que segura o impacto, são os fatos.
Foto: André Neto (@andre.neto76) |


