Áudios inéditos: O esgoto chega ao Palácio do Iguaçu e Ratinho Junior e Guto Silva seguem em festa
Os áudios atribuídos a Rogério Pazzoto, hoje lotado na Casa Civil, expõem um cenário que caminha na direção oposta desses princípios e lança uma sombra preocupante sobre os bastidores da Sanepar.
O que se ouve nos registros não é um comentário casual nem um desabafo isolado. Trata-se de um relato carregado de indignação, feito por alguém que afirma ter sido submetido a pressões diretas, orientações para omitir informações em depoimentos oficiais e episódios claros de assédio moral. As falas desenham um ambiente em que cargos e destinos profissionais teriam sido usados como instrumento de controle e coerção.
No centro das acusações está Andrei Rech, ex-diretor jurídico da Sanepar, que deixou o posto para assumir uma cadeira no Judiciário. Segundo Pazzoto, houve instruções explícitas para conduzir depoimentos de forma seletiva, poupando nomes da cúpula e direcionando responsabilidades a terceiros. A lógica descrita é simples e, ao mesmo tempo, grave: proteger quem estava no topo e encontrar um bode expiatório para absorver o desgaste.
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Se confirmadas, essas declarações revelam algo ainda mais profundo do que um conflito interno. Elas indicam a possível instrumentalização da máquina administrativa para fins de autoproteção e perseguição, violando princípios básicos da administração pública como legalidade, impessoalidade e moralidade.
O cenário se torna ainda mais sensível quando se observa que alguns dos personagens citados ascenderam a posições institucionais ainda mais elevadas, enquanto outros permanecem em áreas estratégicas da companhia, incluindo setores ligados às bilionárias Parcerias Público-Privadas de esgoto. Em um estado onde empresas públicas desempenham papel central no desenvolvimento e na prestação de serviços essenciais, esse tipo de questionamento não pode ser tratado como detalhe secundário.
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É importante registrar que este editorial não antecipa julgamentos nem substitui o devido processo legal. Mas ignorar o conteúdo dos áudios ou reduzir o relato a ruído político seria fechar os olhos para sinais claros de que algo precisa ser apurado com rigor. O que está em jogo não é apenas a reputação de indivíduos, mas a confiança da sociedade paranaense na governança de uma de suas maiores estruturas estatais.
Degravação integral dos áudios atribuídos a Rogério Pazzoto
Áudio 01. O receio de retaliação
“Rapaz, eu não tô pensando nisso não, né. Já me deu vontade de mandar mensagem para aquele Andrei, arregaçando com ele, para aquele Cláudio Stabile, para a Priscila. Já tive vontade de mandar mensagem para esse povo todo. Tô fora da Sanepar, né, mas aí eu fico pensando. Se daí fala com o governador e me bloqueia, né. Aí eu não arrumo essa outra boca. E por isso que eu estou segurando, cara. Se não eu já tinha arrebentado com eles todos já. Vixe.”
Áudio 02. O “acordo” e o assédio
“É esses aí mesmo, cara. O Andrei é o mais filho da p*** de todos, cara, porque eu liguei para ele antes de eu ir para a oitiva minha. E ele me instruiu a falar isso, que eles queriam pegar o Rafael, né. Ele me instruiu a falar: fala, só não fala o nome para quem ele pedia, né. E depois ele dá o parecer para a minha demissão, cara, e sai fora vazado, vai ser desembargador. Esse é o mais lazarento, cara. Sem contar o assédio moral, né, que ele fez comigo lá, né cara. Seu cargo, a sua exoneração tá em cima da minha mesa. Se você conseguir uma gravação do Rafael, né, livrando a cara do povo, você vida que segue. Se não, se você não conseguir, vida que segue. Falou desse jeito, né cara. É bandido também, aquele lá. O dele tá guardado.”
Quem são os citados
Rogério Pazzoto
Autor do relato. Ex-servidor da Sanepar e atualmente atuando na Casa Civil.
Andrei Rech
Ex-diretor jurídico da Sanepar e atual desembargador. Apontado como principal responsável pelas pressões relatadas e pela orientação para omissão de nomes em depoimentos.
Cláudio Stabile
Ex-presidente da Sanepar, sob cuja gestão teriam ocorrido os fatos narrados.
Priscila Marchini
Ex-diretora de Administração, citada no contexto das atuais Parcerias Público-Privadas de esgoto.
Rafael Malaguido
Mencionado como o alvo que a diretoria pretendia responsabilizar para afastar suspeitas da cúpula.
Ouça os áudios na íntegra
(Espaço reservado para o player de áudio)
Este editorial se baseia na transcrição literal dos áudios e na relevância pública dos cargos envolvidos. Diante da gravidade do conteúdo, o mínimo que se espera é apuração independente, transparente e responsável. Silenciar diante de relatos como esses não protege instituições. Apenas aprofunda as sombras que pairam sobre elas.


