Denúncias de caixa dois colocam Sanepar, Ratinho Junior e Guto Silva na mira do Ministério Público Federal
O Ministério Público Federal (MPF) iniciou a apuração das denúncias apresentadas pelos deputados estaduais Requião Filho (PDT) e Arilson Chiorato (PT) contra a Sanepar e o governo do Paraná. Protocoladas em 24 de dezembro, as denúncias apontam a existência de um suposto esquema de caixa dois, pagamento de propinas e coação de funcionários para financiamento de campanhas políticas.
A investigação foi formalizada por meio da abertura de uma Notícia de Fato, registrada no dia 7 de janeiro e distribuída ao procurador Ercias Rodrigues de Sousa. A apuração ocorre no âmbito do Direito Eleitoral e tem como foco a análise de gravações de áudios que detalham um suposto esquema de arrecadação ilegal para cobrir dívidas de campanha do governador Ratinho Junior.

As denúncias foram apresentadas logo após a publicação de uma série de áudios exclusivos divulgados pelo O Diário de Maringá. O material teve ampla repercussão e, posteriormente, originou reportagens de alcance nacional na Folha de São Paulo e no portal Metrópoles, ampliando a pressão por esclarecimentos sobre o caso.
Para Requião Filho, a ausência de manifestações do governador diante das acusações agrava o cenário. Segundo o deputado, enquanto o Ministério Público avança nas apurações, o silêncio do Palácio Iguaçu gera questionamentos sobre transparência e responsabilidade institucional. Ele afirma que os desdobramentos do caso são acompanhados de perto, com expectativa de respostas objetivas à sociedade paranaense.
Além da representação ao MPF, os parlamentares encaminharam pedidos de informação à Polícia Federal, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) e à Agepar, solicitando a instauração de procedimentos para apurar possíveis crimes como corrupção passiva, peculato e concussão.
Os deputados também requerem que a Casa Civil, a Sanepar, a Copel e a Cohapar apresentem informações detalhadas sobre funcionários não concursados. Entre os dados solicitados estão cargos ocupados, valores pagos a título de salários e gratificações, além das datas de contratação e desligamento, com o objetivo de verificar eventuais irregularidades na estrutura administrativa e no uso de recursos públicos.


