Em meio a denúncias graves, vereadores de Maringá cogitam homenagear Guto Silva
Fica cada vez mais difícil compreender e aceitar a postura de parte da classe política quando o momento exige responsabilidade institucional, cautela e respeito à sociedade. Guto Silva está no centro de uma das maiores polêmicas políticas do Paraná nos últimos 20 anos, envolto em denúncias graves, sustentadas por áudios que hoje são objeto de investigação pelo Ministério Público Federal (MPF)
Não se trata de um episódio menor nem de ruído político fabricado. A publicação que revelou o caso partiu do O Diário de Maringá, ganhou repercussão nos principais veículos de comunicação do Brasil e foi suficientemente contundente para levar deputados a formalizarem pedidos de investigação. Trata-se, portanto, de um fato político de dimensão estadual e nacional que teve origem jornalística em Maringá.
Diante desse cenário, causa ainda mais estranheza a movimentação política no Legislativo municipal. Segundo matéria publicada pelo Maringá Post, a proposta de homenagem da Câmara de Maringá é assinada pelos vereadores Odair Fogueteiro (PP), Angelo Salgueiro (Podemos), Maninho (Republicanos) e Junior Bravin (PP). Ou seja, vereadores da própria cidade de onde saiu a publicação que desencadeou a repercussão nacional agora articulam uma honraria ao personagem central da controvérsia.
Antes de homenagens, medalhas ou títulos honoríficos, o mínimo que se espera é transparência, explicações públicas e disposição para enfrentar os questionamentos que vieram à tona. Não se trata de condenar previamente ninguém, mas de respeitar a sociedade, o dinheiro público e a credibilidade das instituições.
Títulos honoríficos não são atos simbólicos vazios. Eles carregam peso político e histórico e devem refletir trajetórias reconhecidas pela lisura e pela ausência de questionamentos graves pendentes. Ignorar o contexto e antecipar a exaltação transforma a homenagem em uma sinalização política equivocada.
O silêncio ou a tentativa de normalização diante de acusações dessa magnitude não fortalece governos, não protege instituições e tampouco engrandece o Parlamento. Pelo contrário, enfraquece a confiança da população e reforça a percepção de que a política se protege a si mesma quando deveria prestar contas.
Se há algo que Maringá e o Paraná precisam neste momento, não são títulos nem aplausos antecipados. Precisam de respostas claras, públicas e verificáveis. E elas devem vir antes de qualquer honraria.


