Pedágio: para a empresa é Free Flow; para o povo é “nós ferrou”?
O sistema de pedágio Free Flow é um modelo eletrônico que elimina as praças físicas e as tradicionais cancelas, permitindo que os veículos trafeguem sem precisar parar. A cobrança é feita de forma automática por meio de pórticos instalados ao longo da rodovia, que identificam os veículos por tags eletrônicas, como Sem Parar, ConectCar e Veloe, ou pela leitura da placa, por meio de tecnologia OCR.
A proposta do sistema é modernizar a cobrança, aumentar a fluidez do trânsito, reduzir filas, melhorar a segurança viária e diminuir a emissão de poluentes. Em tese, o valor do pedágio deveria ser proporcional ao trecho percorrido, substituindo o modelo fixo das antigas praças.
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Para quem possui tag eletrônica, o pagamento é automático. Já os motoristas sem tag têm um prazo, geralmente de até 15 dias, para quitar a tarifa por meio de site, aplicativo, totens de atendimento ou até WhatsApp, utilizando a leitura da placa. O não pagamento pode resultar em multa por evasão de pedágio.
Como funciona o Free Flow na prática
O sistema opera a partir de pórticos equipados com câmeras, sensores e antenas instalados na rodovia. Ao passar pelo local, o veículo é identificado de duas formas:
- Tag eletrônica: leitura automática da etiqueta instalada no veículo.
- Leitura de placa (OCR): câmeras capturam a imagem da placa, que é convertida em texto pelo sistema.
Não há cancelas nem necessidade de redução brusca da velocidade, permitindo passagem livre e contínua dos veículos.
Alerta na BR-376
Na BR-376, entre Marialva e Mandaguari, os pórticos do Free Flow irão substituir as praças físicas de pedágio. No entanto, a forma de cobrança anunciada tem gerado preocupação e indignação entre usuários da rodovia e lideranças políticas.
Segundo o deputado estadual Evandro Araújo, apesar de o sistema ser apresentado como moderno e proporcional, a cobrança não será por quilômetro rodado, como muitos acreditam e defendem.
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“Tenho a informação de que as praças eletrônicas, quando começarem a funcionar, cobrarão a tarifa cheia dos veículos. Isso é preocupante. Não é justo com quem percorre trajetos curtos, com quem depende de acessar os municípios ou com quem tem propriedades já construídas e que já sofreu com os transtornos da antiga praça física”, afirmou o parlamentar.
Evandro Araújo informou ainda que já manifestou sua indignação à concessionária EPR, responsável pelo trecho, e que irá se somar a outros setores da sociedade que pretendem atuar contra a medida.
“Não vamos aceitar calados essa forma de cobrança, que não estava prevista e não foi discutida com os usuários”, reforçou.
Impacto social e perda de empregos
Além da discussão sobre a tarifa, outra preocupação levantada é o impacto social do novo modelo. Apesar de agilizar o trânsito, o sistema Free Flow elimina dezenas de postos de trabalho, uma vez que dispensa a necessidade de funcionários nas praças de pedágio.
Com menos pessoas envolvidas na operação, a concessionária reduz seus custos com mão de obra, enquanto trabalhadores perdem seus empregos, sem que haja, até o momento, um debate amplo sobre alternativas, reaproveitamento ou compensações sociais.
A Prefeitura de Marialva vai promover uma reunião pública para tratar da implantação do novo sistema de pedágio eletrônico (free flow) na BR-376, no trecho entre Marialva e Mandaguari. O encontro acontece nesta quarta-feira, 21 de janeiro, às 19h, no Cine Teatro de Marialva.
A iniciativa atende a pedidos de agricultores, moradores lindeiros e residentes das imediações, preocupados com os impactos do novo modelo de cobrança, principalmente para quem realiza deslocamentos curtos e depende de acessos rurais, estradas vicinais e carreadores.
Durante a reunião, a Prefeitura apresentará as informações oficiais repassadas pela concessionária EPR, ouvirá a população e buscará, de forma conjunta, encaminhamentos e possíveis ajustes, com o objetivo de evitar prejuízos aos proprietários afetados.
O município reforça o compromisso de acompanhar o processo, dialogar com os órgãos competentes e atuar ao lado da população, defendendo soluções que respeitem a realidade local. A participação dos moradores é considerada essencial para fortalecer o diálogo e a construção de alternativas.
Debate necessário
A implantação do Free Flow representa uma mudança significativa na forma de cobrança de pedágio no Paraná. No entanto, usuários da BR-376 defendem que a modernização só faz sentido se vier acompanhada de justiça tarifária, transparência e responsabilidade social.
A expectativa é de que a concessionária e o poder público esclareçam o modelo de cobrança antes do início efetivo da operação, garantindo que a tecnologia não se transforme em mais um prejuízo para quem depende diariamente da rodovia.


