Ratinho Junior e o silêncio da grande mídia diante do caos em serviços públicos

Ratinho Junior e o silêncio da grande mídia diante do caos em serviços públicos

O governador do Paraná, Ratinho Junior, segue relativamente distante das manchetes mais críticas dos grandes jornais do estado. Não por falta de temas relevantes, mas por um conjunto de fatores que chama a atenção de analistas políticos, jornalistas e da própria sociedade. Entre eles, destaca-se o fato de o grupo empresarial ligado à família do governador manter diversas emissoras de rádio e televisão no Paraná, com forte alcance regional e influência direta na formação da opinião pública.

Esse cenário, por si só, não configura irregularidade automática. No entanto, levanta questionamentos legítimos sobre o equilíbrio do debate público, especialmente quando se observa que essas mesmas emissoras também recebem recursos de publicidade institucional oriundos dos cofres públicos estaduais, como ocorre com outros veículos de comunicação que veiculam campanhas oficiais do governo.

Na prática, cria-se uma situação sensível: Ratinho Junior passa a se beneficiar politicamente de uma exposição favorável tanto em veículos ligados ao seu próprio grupo familiar quanto em parte da mídia regional que depende, em maior ou menor grau, de verbas oficiais. Assim, o governador acaba obtendo uma dupla vantagem: aparece positivamente nas emissoras de rádio e TV da família e, ao mesmo tempo, concentra uma parcela significativa dos investimentos públicos em comunicação.

Ratinho pai do governador é proprietário do Grupo Massa, que controla a Rede Massa, afiliada ao SBT no Paraná. A rede é composta por cinco emissoras de televisão no estado:

TV Iguaçu – Curitiba
TV Tibagi – Apucarana e Maringá
TV Cidade – Londrina
TV Naipi – Foz do Iguaçu
TV Guará – Ponta Grossa

Além da televisão, o grupo também possui uma ampla rede de rádios por meio da Massa FM, com emissoras próprias e afiliadas espalhadas por todo o Paraná. Entre as estações próprias estão:

Massa FM Curitiba
Massa FM Foz do Iguaçu
Massa FM Guairacá (Mandaguari)
Massa FM Londrina
Massa FM Maringá

Há ainda dezenas de emissoras afiliadas, em cidades como Paranavaí, Campo Mourão, Capanema, Cascavel, Céu Azul, Ivaiporã, Medianeira, Toledo, Telêmaco Borba, Umuarama, entre outras. No total, são mais de 14 emissoras de rádio retransmitindo a marca e a programação do grupo no estado.

Esse domínio relevante do setor de comunicação ajuda a explicar por que Ratinho Junior frequentemente aparece em comentários positivos, análises favoráveis e até em manifestações públicas de alinhamento com a Presidência da República, enquanto problemas estruturais persistem longe dos holofotes.

A estratégia política parece clara: concentrar a pauta institucional em ações de grande apelo visual e midiático, como o programa “Verão Maior”, ocupando espaço nobre na imprensa e desviando o foco de questões que seguem sem solução em várias regiões do Paraná.

Quem é esse cara Ratinho, envolvido em corrupção? Ele é o governador de fato?

Enquanto eventos e campanhas recebem ampla divulgação, obras anunciadas reiteradamente pelo governador e por secretários estratégicos, como Guto Silva, continuam sem sair do papel. Paralelamente, parte significativa do estado enfrenta dificuldades no acesso a serviços básicos, como abastecimento de água e fornecimento de energia elétrica, situação recorrente em diversos municípios.

No litoral paranaense, os problemas se agravam na área da saúde pública. Em Paranaguá, relatos de profissionais e usuários do sistema de emergência indicam que o SAMU enfrenta sérias dificuldades operacionais. Há denúncias de ambulâncias em más condições de uso, com problemas mecânicos, falhas em equipamentos de sinalização e defeitos estruturais, colocando em risco tanto a população atendida quanto os próprios trabalhadores.

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Esses fatos não dizem respeito a disputas políticas menores, mas à responsabilidade do Estado em garantir serviços públicos básicos, eficientes e dignos. Em um ambiente onde poder político e poder midiático se cruzam, o papel da imprensa independente torna-se ainda mais essencial: fiscalizar, questionar e dar voz às demandas da sociedade.

Governar também significa enfrentar críticas, reconhecer falhas e apresentar soluções concretas. Estratégias de comunicação podem funcionar no curto prazo, mas não substituem políticas públicas eficazes nem resolvem os problemas reais do Paraná que seguem longe das câmeras e dos palcos oficiais.

Redação O Diário de Maringá

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