Desabamento de muro em área histórica de Morretes é marcado por hostilidade e tentativa de cerceamento ao trabalho jornalístico
Cobertura sobre dano estrutural em patrimônio tombado foi interrompida por abordagem intimidatória registrada em vídeo
Na manhã do dia 21 de janeiro de 2026, por volta das 11h, a apuração jornalística sobre o desabamento de um muro antigo na Rua das Flores, no centro histórico e turístico de Morretes, no Litoral do Paraná, foi marcada por hostilidade verbal, tentativas de intimidação e cerceamento do exercício profissional da imprensa.
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O jornalista Tony Kilim, no exercício regular da atividade jornalística, realizava a cobertura do fato com o objetivo de informar a população, contextualizar historicamente a estrutura e cobrar providências do poder público, diante dos riscos à segurança em uma área de grande circulação de moradores e turistas.
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O desabamento ocorreu às margens de um córrego urbano que deságua no Rio Nhundiaquara, em um dos pontos mais conhecidos da cidade. A Rua das Flores integra o conjunto urbano tombado pelo patrimônio histórico, o que amplia o interesse público sobre qualquer dano estrutural, situação de abandono ou risco à coletividade.
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Abordagem hostil desde o início da gravação
Desde os primeiros minutos da gravação, pessoas ligadas a estabelecimentos comerciais situados nas proximidades do desabamento se aproximaram de forma abrupta, interrompendo a produção da matéria, questionando a presença da imprensa e atacando a credibilidade profissional do jornalista, mesmo sem que houvesse qualquer acusação pessoal ou atribuição de responsabilidade.
Durante a abordagem, uma mulher identificada como possível proprietária de um hotel nas imediações e um homem apontado como possível proprietário de uma pousada ou loja do outro lado da via adotaram postura confrontacional. Há indícios de que ambos atuaram de forma conjunta durante todo o episódio, o que foi integralmente registrado em vídeo.
Identificação profissional ignorada
Logo no início da abordagem, o jornalista se identificou formalmente, apresentou sua carteira profissional da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e informou ser jornalista sindicalizado, deixando claro que exercia atividade jornalística legítima, amparada por prerrogativas constitucionais.
Mesmo após o reconhecimento explícito da condição profissional, as interrupções e tentativas de impedir a gravação persistiram, demonstrando que a conduta não decorreu de desconhecimento, mas de intenção deliberada de interferir no trabalho da imprensa.
Tentativa de descredibilização e constrangimento
Durante o confronto verbal, a mulher passou a insinuar suposta falta de ética jornalística. Em um dos trechos registrados, afirma em tom irônico:
“Isso não é jornalismo. Você não tem ética.”
A declaração foi feita sem qualquer contestação objetiva ao conteúdo que estava sendo produzido. O ambiente permaneceu hostil por mais de dez minutos, com falas sobrepostas, interrupções constantes e tentativas reiteradas de constrangimento.
Filmagens contraditórias reforçam intimidação
As imagens revelam ainda uma contradição evidente. Enquanto afirmavam que não autorizavam ser filmados, os próprios envolvidos filmavam o jornalista de forma contínua, desde a chegada ao local até o final da abordagem.
A postura reforça a percepção de que não se tratava de uma objeção à gravação em si, mas sim de uma tentativa de impedir exclusivamente o trabalho jornalístico, ao mesmo tempo em que buscavam registrar imagens do profissional de forma intimidatória.
Em todos os momentos, o jornalista manteve postura técnica e profissional, reiterando que:
- estava em via pública;
- exercia atividade jornalística legítima;
- não havia feito acusação pessoal ou atribuição de culpa;
- o objetivo da matéria era registrar fatos de interesse público, sem juízo de valor.
Conduta já registrada em cobertura anterior
O episódio não é isolado. A mesma mulher já havia aparecido em cobertura jornalística anterior, realizada no mesmo local, sobre o desabamento do mesmo muro, também tentando interferir na produção da matéria.
Na ocasião anterior, a conduta não foi destacada, mas os registros demonstram reiteração do comportamento de interferência no trabalho da imprensa.
Tentativa de expulsão de espaço público
O momento mais grave ocorreu ao final da gravação, quando houve tentativa verbal de afastar o jornalista da Rua das Flores, como se o local fosse de uso privado.
Não houve contato físico, mas houve insistência, tom exaltado e ordens diretas para que o profissional deixasse a via pública, caracterizando uma tentativa clara de cerceamento da atividade jornalística, mesmo após o reconhecimento formal da condição profissional.
Liberdade de imprensa e interesse coletivo
A Constituição Federal assegura a liberdade de imprensa, o direito à informação e o livre exercício da atividade jornalística, especialmente em espaços públicos e em temas que envolvem segurança, patrimônio histórico e áreas turísticas.
Entidades como a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e sindicatos da categoria reiteram que qualquer tentativa de constranger, intimidar ou impedir jornalistas em espaço público configura violação à liberdade de imprensa.
A matéria não atribui culpa a particulares nem aponta responsabilidades individuais. Cabe ao poder público, por meio de órgãos técnicos, apurar causas, responsabilidades e definir medidas preventivas.
O papel do jornalismo é informar, registrar os fatos, alertar para riscos e cobrar providências, especialmente quando envolve um córrego urbano que atravessa a área histórica e integra a paisagem e a identidade cultural de Morretes.
Até o fechamento desta reportagem, a Prefeitura de Morretes não se manifestou oficialmente sobre as causas do desabamento, eventuais riscos em outros pontos do centro histórico ou medidas preventivas.
Toda a situação está registrada em vídeo e será publicada integralmente nas plataformas Facebook, YouTube, Instagram e TikTok, garantindo transparência, direito de resposta e acesso público às imagens.



