Quem manda no Paraná? A era do governador “Master”

Quem manda no Paraná? A era do governador “Master”

Os fatos deixaram de ser meras suspeitas. Tornaram-se realidade documentada, publicada pela imprensa nacional e permeada por decisões governamentais que mudaram o destino de ativos estratégicos do Paraná.

Documento societário oficial, com firma reconhecida em cartório, obtido pelo jornalista Luiz Vassallo, colunista do jornal O Estado de S. Paulo, comprova que Gabriel Martinez Massa, irmão do governador Ratinho Junior, assinou como acionista de uma empresa diretamente ligada ao resort Tayayá. Nesse mesmo instrumento aparece a assinatura de José Carlos Dias Toffoli, ligado à empresa dos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Não se trata de especulação. Trata-se de documento público.

Ao mesmo tempo, na esfera econômica, o governo do Paraná sob Ratinho Junior privatizou a Copel Telecom, a subsidiária da estatal paranaense responsável por infraestrutura de fibra ótica e serviços de telecomunicação, por meio de leilão na Bolsa de Valores em 2020. Essa privatização foi promovida pelo próprio governo estadual e resultou em venda da empresa por bilhões de reais a investidores privados, em um processo que a oposição e analistas passaram a questionar por causa dos claques financeiros que vieram a se conectar ao caso Master.

Depois do episódio passado, CNH dos irmãos de Ratinho Junior foi obtida regularmente?

O comprador desse ativo estratégico foi um fundo cujo financiamento contou com forte participação do Banco Master, instituição que hoje está sob investigação da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, com bloqueio de bens bilionário e apreensões que alcançam múltiplos estados.

Essa conexão política-econômica agora não é conjectura. É fato que precisa ser debatido com clareza. Os documentos mostram que empresas ligadas à família do governador e à família de um ministro do STF coexistiram na mesma cadeia societária. Os mesmos padrões financeiros que aparecem em fundos que compraram participações e empreendimentos no Paraná estão ligados a um banco que hoje enfrenta investigação federal.

O governo que privatizou um dos seus ativos de telecomunicações mais capazes e estratégicos, transformando-o em capital privado e trazendo para essa operação dinheiro associado ao Banco Master, cria um padrão de relações que merece mais do que nota de rodapé.

Não se está acusando crime. Mas se está denunciando um modelo de poder que mistura governo, família política, negócios privados e instituições financeiras com problemas graves de conformidade.

Os paranaenses enfrentam pedágio caro, serviços públicos em crise, gás e energia com preços elevados. Em meio a isso, o Estado vendeu uma infraestrutura de fibra ótica valiosa e depois reaparece no centro de uma teia financeira que envolve um banco investigado, fundos milionários, parentes de ministros e um resort de luxo com participação societária formal da família do governador.

A sociedade tem o direito de saber se decisões como a privatização da Copel Telecom foram tomadas no interesse público ou para abrir portas a grupos com relações privilegiadas no poder.

Quando um documento com assinatura do irmão do governador se soma à história de privatizações polêmicas e relações financeiras suspeitas, não é mais possível tratar tudo como coincidência ou narrativa partidária.

É uma questão de ética pública e transparência, que deve ser respondida com fatos claros, documentos públicos e explicações diretas à população do Paraná.

O documento existe.
A privatização foi realizada.
A relação financeira tem conexões que não podem mais ser ignoradas.

Quem governa o Paraná?
O povo ou o sistema Master?

Redação O Diário de Maringá

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