O trem tá feio, sim, Scabora

O trem tá feio, sim, Scabora

O comentário do ex-vice-prefeito de Maringá, Scabora, tenta ocupar o espaço da crítica à corrupção, mas escorrega justamente no ponto central que sustenta qualquer discurso ético: a coerência. Falar de corrupção é necessário. O problema surge quando essa fala se torna seletiva, conveniente e silenciosa diante dos fatos mais próximos.

O Paraná vive hoje um dos períodos mais delicados de sua história recente. O escândalo envolvendo o Banco Master, suas conexões empresariais e relações societárias com o Tayayá Resort , empreendimento ligado à família do governador Ratinho Junior, é público, documentado e amplamente noticiado. Ainda assim, esse tema parece inexistir para quem prefere comentar apenas o que está longe.

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Mais grave ainda é o silêncio absoluto em relação à Sanepar. A estatal paranaense acumula denúncias, questionamentos sobre contratos, reajustes, investimentos, qualidade do serviço e gestão, afetando diretamente milhões de paranaenses. Trata-se de um escândalo que atinge o cotidiano da população, mexe no bolso do cidadão e envolve decisões políticas tomadas dentro do próprio governo estadual. Mesmo assim, Scabora sequer menciona o assunto.

Essa omissão não passa despercebida. Ao contrário, reforça a sensação de que parte da classe política maringaense só se sente confortável em denunciar a corrupção quando ela está distante, fora do Estado, fora do círculo de alianças e conveniências locais.

Não basta dizer que “tem fé”. Fé não substitui fiscalização, não cobra explicações e não enfrenta estruturas de poder. O momento exige atitude concreta, coragem e responsabilidade pública. Exige dar nome aos bois, independentemente de partido, sobrenome ou cargo. Corrupção não escolhe lado. E quem escolhe o silêncio escolhe também um lado.

Quando a crítica poupa os próximos e ataca apenas os distantes, ela perde legitimidade. E é por isso que, sim, Scabora, o trem está feio . Está feio porque muitos preferem comentar de fora, fingindo que não fazem parte da viagem.

Se o senhor ainda pretende permanecer na vida política, tem o dever moral de cobrar explicações do governador Ratinho Junior e, principalmente, do secretário Guto Silva. Do contrário, sua indignação não passa de pura encenação. E, por conhecê-lo, é difícil acreditar que o senhor faria o papel de fingir que não sabe o que está acontecendo na Sanepar, no governo Ratinho e nas denúncias que envolvem Guto Silva.

Redação O Diário de Maringá

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