Ratinho vende gato por lebre: Tayayá “Porto Rico” não existe no mapa

Ratinho vende gato por lebre: Tayayá “Porto Rico” não existe no mapa

No interior do Paraná, um velho ditado popular parece ganhar contornos cada vez mais concretos no debate público: vender gato por lebre. É exatamente essa a sensação que fica diante da forma como o empreendimento Tayayá vem sendo publicizado como “Tayayá Porto Rico”, quando, na realidade, não está localizado no município de Porto Rico, mas sim em São Pedro do Paraná.

A associação ao nome de Porto Rico não é casual. Trata-se, ao que tudo indica, de uma estratégia comercial deliberada, explorando a fama turística e o reconhecimento regional da cidade vizinha para valorizar artificialmente o empreendimento e facilitar a comercialização de cotas e participações. No processo, São Pedro do Paraná acaba apagada do mapa, o que soa como descaso institucional e até preconceito com o município que, de fato, abriga o resort.

O caso ganha contornos ainda mais sensíveis quando se observa quem está por trás do negócio. O apresentador Ratinho, figura pública de projeção nacional, já teve sociedade com irmãos do ministro do STF Dias Toffoli e, posteriormente, o empreendimento em Rio Claro passou a ter relações com fundos ligados ao Banco Master, instituição hoje cercada de questionamentos públicos. Ainda assim, a publicidade insiste em vender a ideia de um “Tayayá Porto Rico” que, geograficamente, não existe.

Nos bastidores políticos, circulam conversas que merecem atenção dos órgãos de controle. Há relatos de que o Governo do Estado do Paraná, comandado por Ratinho Junior, estaria utilizando recursos públicos para pavimentar estradas e melhorar acessos que levam diretamente ao resort. Caso isso venha a ser comprovado, estaríamos diante de mais um episódio em que o Estado não atua como agente do interesse coletivo, mas como indutor indireto de valorização patrimonial privada ligada à família do governador.

Enquanto o palco brilha, a grande mídia e políticos do Paraná fingem não ver os bastidores

Esse não seria um fato isolado. Também há questionamentos recorrentes sobre a destinação de recursos de publicidade institucional para veículos de comunicação pertencentes ao pai do governador, além de suspeitas envolvendo a atuação de familiares próximos, como o irmão de Ratinho e tio de Ratinho Junior, na venda de shows para prefeituras que recebem recursos do governo estadual.

Se confirmadas, essas práticas desenham um cenário preocupante: o de um Estado que, em vez de manter distância institucional, orbita em torno dos interesses econômicos de uma mesma família, criando um ambiente favorável à consolidação de negócios privados com apoio direto ou indireto da máquina pública.

Querendo saber

O Paraná costuma ser apresentado como “exemplo para o Brasil”. A pergunta que se impõe é: exemplo de quê? Se as suspeitas se confirmarem, o Estado pode acabar servindo como manual de como utilizar recursos públicos, influência política e marketing institucional para impulsionar empreendimentos familiares de figuras do poder.

Cabe agora aos órgãos de fiscalização, ao Ministério Público e aos tribunais de contas separar discurso de realidade. Transparência não é favor, é dever. E quando o poder público se confunde com interesses privados, o prejuízo não é apenas financeiro: é institucional, democrático e moral.

Redação O Diário de Maringá

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