Quanto mais se mexe, mais afunda: Ratinho Junior e Guto Silva enterram o PSD na lama, Kassab sabe disso?
O Paraná vive um momento delicado. Enquanto o discurso oficial insiste em vender eficiência, planejamento e boa governança, uma sequência de fatos, denúncias e questionamentos públicos coloca o núcleo do poder estadual sob uma sombra cada vez mais difícil de ignorar.
O governador Ratinho Junior e o secretário Guto Silva passaram a ser citados em meio a supostos desvios envolvendo a Sanepar, indícios de caixa dois, além de relações empresariais controversas da família do governador com o Banco Master, por meio de fundos que mantêm sociedade com o pai de Ratinho Junior no empreendimento Tayayá, localizado em São Pedro do Paraná, mas anunciado comercialmente como Porto Rico, estratégia que levanta questionamentos sobre marketing enganoso e valorização artificial do negócio.
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A esses episódios soma-se um fato incontestável e documentado. Os alertas formais do Tribunal de Contas do Estado sobre as obras de engordamento da praia de Matinhos foram ignorados. Relatórios técnicos apontaram riscos, falhas de planejamento e inversão de etapas. Ainda assim, o governo decidiu avançar. O resultado está à vista. Custos elevados, dúvidas sobre a eficácia da obra e um prejuízo político que começa a ultrapassar os limites do litoral.
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Esse conjunto de situações coloca um dos maiores e mais influentes partidos do país, comandado nacionalmente por Gilberto Kassab, nos holofotes não pela boa gestão, mas por suspeitas de corrupção e decisões administrativas questionáveis. Em um cenário de articulação nacional e projeção presidencial, o desgaste deixa de ser regional e passa a ter alcance nacional.
No Paraná, o debate público segue sufocado. A força da máquina de comunicação do governo estadual, alimentada por volumosos contratos de publicidade, cria um ambiente de conforto institucional onde o silêncio virou regra. Poucos questionam. Muitos fingem que nada acontece. E quem aponta contradições é tratado como inconveniente.
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Esse controle, porém, tem prazo de validade. Com a proximidade do período eleitoral, a propaganda oficial sofre restrições. As sessões da Assembleia Legislativa retomam seu ritmo pleno. O debate tende a escapar do controle narrativo. Quando a publicidade diminui, a realidade tende a aparecer.
Por que a engorda da praia de Matinhos continuou apesar dos alertas do Tribunal de Contas?
O eleitor paranaense, cedo ou tarde, será confrontado com uma pergunta incômoda.
O Paraná que diz planejar o futuro é o mesmo que ignora órgãos de controle, convive com suspeitas graves e mantém relações empresariais pouco transparentes?
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Enquanto isso, a classe política estadual permanece em silêncio estratégico, apostando que o tempo, e não a transparência, resolverá tudo. A história recente mostra que essa aposta costuma cobrar um preço alto.



