Dois Paranás: o que Ratinho Junior vende na LAIC 2026 e o que enfrenta denúncias no dia a dia
O Paraná da vitrine e o Paraná que paga a conta
Na Latin America Investment Conference (LAIC) 2026, em São Paulo, o governador Ratinho Junior apresentou ao mercado internacional um Paraná quase perfeito. Um Estado eficiente, planejado, fiscalmente equilibrado, seguro para investimentos e exemplo de gestão pública. No discurso, tudo funciona. Fora do palco, a realidade é bem menos confortável.
O Paraná apresentado a investidores globais não é o mesmo que enfrenta denúncias, impostos elevados, silêncio institucional e controvérsias que o governo evita responder.
Aúdio inédito:“Topa Tudo por Dinheiro” de Ratinho Junior e Guto Silva não dá dinheiro, toma?
Crescimento econômico sem transparência
Ratinho Junior destacou o crescimento do PIB paranaense e o status de quarta maior economia do País. Os números existem e são oficiais. O problema está no que o discurso esconde.
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O crescimento econômico não veio acompanhado da mesma transparência na condução de estatais estratégicas nem de explicações claras sobre denúncias envolvendo a Sanepar, a Copel Telecom e a relação do governo com interesses privados. Crescer não autoriza o governo a se calar diante de questionamentos graves.
Capag A+ não é atestado de integridade
A nota máxima na Capacidade de Pagamento é tratada como sinônimo de boa governança. Não é. Capag mede equilíbrio fiscal e capacidade de endividamento. Não mede ética administrativa, integridade política nem uso correto das estatais.
Enquanto o governo exibe planilhas, seguem sem resposta denúncias sobre suposto uso da estrutura da Sanepar para arrecadação política e possível caixa dois para cobrir despesas de campanha. O silêncio do governo e do núcleo político citado agrava a suspeita.
Investimentos bilionários sem lastro público
Ratinho Junior afirma que o Paraná atraiu mais de R$ 300 bilhões em investimentos privados. O número impressiona, mas não é acompanhado de transparência. Não há lista pública clara que diferencie investimento anunciado, contratado e efetivamente executado.
Sem isso, o dado vira propaganda. Para o investidor, promessa. Para o cidadão, dúvida.
Obras vendidas como sucesso ignoram alertas técnicos
No discurso, obras bilionárias são apresentadas como prova de planejamento de longo prazo. Na prática, algumas delas acumulam alertas técnicos e controvérsias documentadas.
Por que a engorda da praia de Matinhos continuou apesar dos alertas do Tribunal de Contas?
A Orla de Matinhos já foi alvo de questionamentos do Tribunal de Contas sobre a execução do projeto e voltou ao centro do debate após episódios de erosão e necessidade de novas intervenções. Mesmo assim, o governo insiste em vendê-la como obra concluída e bem-sucedida, ignorando alertas, correções e custos adicionais.
A Ponte de Guaratuba é tratada como fato consumado antes da entrega definitiva e da plena operação. Promessa vira realidade no discurso antes de se confirmar na prática.
Liberdade econômica no palco, imposto alto no bolso
Ratinho Junior exaltou políticas de liberdade econômica e ambiente favorável ao investimento. No cotidiano do paranaense, o discurso não se sustenta.
A Petrobras anunciou redução no preço da gasolina vendida às distribuidoras. No Paraná, o desconto praticamente não chegou ao consumidor. O motivo é direto e inegável. O próprio governo estadual aumentou o ICMS sobre os combustíveis.
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Enquanto a estatal federal reduz preços para aliviar a inflação, o governo do Paraná recompõe arrecadação elevando imposto. O resultado é gasolina cara, transporte caro, alimentos mais caros e custo de vida pressionado.
Para investidores estrangeiros, eficiência fiscal.
Para quem abastece no Paraná, imposto alto e nenhum alívio na bomba.
Educação e segurança como vitrines seletivas
Educação e segurança aparecem como vitrines positivas. Há avanços, mas o governo evita discutir desigualdades regionais, falhas estruturais e os custos reais dessas políticas. A narrativa escolhe o que mostrar e silencia sobre o que incomoda.
O que Ratinho Junior não disse
Nada foi dito na LAIC 2026 sobre:
as denúncias envolvendo a Sanepar e supostos esquemas de arrecadação política,
a venda da Copel Telecom e os questionamentos sobre quem realmente se beneficiou da operação,
as relações empresariais atribuídas a pessoas próximas à família do governador,
o papel do secretário Guto Silva nesses episódios.
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Esses temas não existem no Paraná apresentado ao mercado.
Dois Paranás
O que Ratinho Junior mostrou em São Paulo foi um Paraná editado para investidores.
O que os paranaenses vivem é um Paraná real, com impostos elevados, combustível caro, silêncio institucional e ausência de explicações.
Não se trata de negar avanços. Trata-se de exigir transparência, coerência e respeito a quem paga a conta.
Governar não é apenas exibir números em painéis internacionais. É enfrentar perguntas difíceis, prestar contas à sociedade e permitir que órgãos de controle atuem sem blindagem política.
Enquanto o governo insistir em vender um Paraná idealizado e esconder o real, o discurso continuará soando menos como prestação de contas e mais como campanha política antecipada.
Já que perguntar não ofende: esses investimentos serão para o Paraná ou para a campanha de Ratinho Junior e Guto Silva?


