PM mata ex e evidencia omissão do governo Ratinho Junior diante do colapso psicológico na PM?
O caso registrado na madrugada deste sábado, 31 de janeiro, em Terra Boa, não pode ser tratado como um episódio isolado. Um policial militar, fora de serviço, utilizou arma institucional para matar a ex companheira e um homem que estava com ela. Após os homicídios, o agente se apresentou à Polícia Militar e foi encaminhado à delegacia. Duas vidas foram perdidas em um contexto que deveria ser de proteção, não de violência.
O fato expõe uma questão estrutural que o Paraná precisa enfrentar com seriedade. Nos últimos anos, tem se acumulado no Estado um conjunto de ocorrências envolvendo policiais militares em colapso emocional, violência doméstica, uso indevido de arma funcional e mortes autoprovocadas. O padrão que se repete indica falha de política pública, não apenas responsabilidade individual.
Levantamentos jornalísticos e dados de órgãos de controle apontam que, no Paraná, o número de policiais militares mortos por suicídio supera o de PMs mortos em confrontos com criminosos. Trata se de um dado grave, que revela uma corporação submetida a níveis elevados de pressão psicológica, sem que haja resposta institucional proporcional na área de prevenção, acompanhamento e cuidado com a saúde mental.
Paralelamente, o Estado registra índices elevados de letalidade policial em operações. Desde 2019, o Paraná passou a figurar entre as unidades da federação com maior número de mortes decorrentes de intervenção policial. O discurso oficial de endurecimento e confronto, adotado pelo governo estadual, não veio acompanhado de políticas estruturadas de atenção psicossocial aos agentes armados.
Outro aspecto que não pode ser ignorado é a recorrência de crimes cometidos por policiais militares contra companheiras, ex companheiras e familiares. Quando a arma institucional ultrapassa o espaço da função pública e é utilizada em conflitos privados, evidencia se a ausência de mecanismos eficazes de prevenção, monitoramento e intervenção precoce.
A rua dá voz, mas o Código de Trânsito impõe limites
Governar a segurança pública não se resume a autorizar operações, adquirir equipamentos ou divulgar estatísticas de apreensão. Envolve também assumir responsabilidade pelas condições emocionais e psicológicas daqueles que recebem do Estado o poder de portar armas em nome da sociedade. Ignorar sinais de adoecimento na corporação é assumir o risco de novas tragédias.
O episódio de Terra Boa precisa ser compreendido como um alerta. O Paraná não pode continuar tratando a saúde mental da Polícia Militar como tema secundário. A proteção da sociedade começa pela proteção de quem atua na linha de frente, com políticas permanentes de prevenção, acompanhamento psicológico e controle rigoroso do uso da arma funcional.
Segurança pública responsável se constrói com planejamento, equilíbrio e cuidado institucional. Quando isso falha, o resultado deixa de ser estatística e passa a ser tragédia.
Crédito: Imagem da manchete feita por IA


