Creci-PR diz que não fiscaliza negociações privadas e aponta mais de 400 infrações em imobiliárias de Maringá em 2025
Entrevista com o coordenador de fiscalização do Conselho ocorre em meio a denúncias de golpe milionário envolvendo a imobiliária Facilita Ingá
Maringá vive um dos momentos mais aquecidos de sua história no mercado imobiliário. Com centenas de empreendimentos em construção e um volume financeiro que movimenta bilhões de reais, o setor também passou a conviver com denúncias graves de irregularidades. Entre elas, a investigação policial que aponta um possível golpe milionário envolvendo a imobiliária Facilita Ingá, tema que ganhou repercussão nos últimos dias.
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Diante desse cenário, o O Diário de Maringá entrevistou Isaías Aquino, coordenador de fiscalização do Creci-PR, para esclarecer qual é, de fato, o papel do conselho e quais medidas vêm sendo adotadas para coibir irregularidades no setor.
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Segundo Aquino, o Creci mantém fiscalização permanente em Maringá, com dois fiscais atuando diariamente. Apenas em 2025, foram produzidos 3.118 documentos de fiscalização nas imobiliárias da cidade, o que resultou na lavratura de 410 autos de infração.
“A fiscalização está ativa, visitando todas as imobiliárias. Esses autos de infração deram origem à abertura de procedimentos administrativos, que podem resultar em penalizações futuras”, afirmou.
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Infrações mais comuns
De acordo com o coordenador, a maior parte das autuações está relacionada ao acobertamento de pessoas não inscritas no conselho. Trata-se de situações em que imobiliárias permitem que indivíduos sem registro no Creci atuem como corretores.
A segunda infração mais recorrente envolve a negociação ou administração de imóveis sem autorização legal, ou seja, sem contrato que permita ao corretor ou à imobiliária representar o proprietário.
Outras irregularidades, consideradas menos graves, incluem falhas em publicidade, como anúncios sem o número de registro no Creci.
Combate ao exercício ilegal da profissão
Outro dado destacado por Isaías Aquino é o encaminhamento de 67 casos de exercício ilegal da profissão à Polícia Civil do Paraná somente em Maringá. São pessoas que atuavam no mercado imobiliário sem qualquer habilitação legal.
“Essas pessoas se dizem corretores, mas não são. O Creci também atua fortemente no combate a esse tipo de prática”, explicou.
Limites de atuação do Creci
Um dos principais pontos esclarecidos na entrevista diz respeito aos limites legais da atuação do conselho. Segundo Aquino, o Creci não fiscaliza diretamente negociações privadas entre imobiliárias e clientes.
“A relação comercial é privada. O Creci só passa a atuar quando o cliente se sente lesado e formaliza uma denúncia. A partir daí, o conselho avalia exclusivamente a questão ética da negociação”, destacou.
Questões como ressarcimento de valores, estelionato ou prejuízo financeiro são de competência da Justiça comum, não do Creci. O conselho atua como um “tribunal ético”, podendo aplicar punições administrativas ao corretor ou à imobiliária, caso fique comprovada infração ao código de ética.
Denúncias e investigações
Questionado sobre o número de denúncias envolvendo fraudes, estelionato ou apropriação indevida de valores, Isaías Aquino afirmou que há inúmeras denúncias desse tipo em todo o Paraná, envolvendo diferentes imobiliárias. No entanto, ele disse não ter, no momento da entrevista, os dados específicos apenas de Maringá.
A entrevista ocorre em meio às investigações policiais que apuram denúncias contra a Facilita Ingá, cujo suposto prejuízo, segundo a Polícia Civil, pode atingir cifras milionárias. O caso segue sob apuração das autoridades.
O O Diário de Maringá continuará acompanhando o desdobramento das investigações e permanece à disposição para ouvir o posicionamento de todas as partes envolvidas.


