Gestão Ismael Batista(PSD) confundiu comprar leite rico em ferro com ferrar o povo?
Gestão Ismael Batista precisa explicar por que o leite escolar custa quase o dobro do mercado
E se continuar assim, a vaca acaba indo pro brejo
O contrato da Fundação de Educação de Paiçandu não deixa margem para dúvida. O documento oficial mostra que o município concordou em pagar R$ 8,52 por litro de leite pasteurizado, em uma contratação que soma R$ 170.400,00 para o fornecimento de 20 mil litros, com vigência de 12 meses, no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) Leite.
Até aqui, os números são oficiais. O problema começa quando eles são comparados com a realidade. No mercado comum, o litro de leite dificilmente ultrapassa a faixa entre R$ 2,50 e R$ 5,00. Em Paiçandu, porém, o leite público parece ganhar status especial. Pelo valor contratado, um litro custa quase como se fossem dois.
Diante disso, a ironia surge quase sozinha. Será que a inexigibilidade foi usada porque a vaca já entrega o leite com sabor de uva. Porque só assim para explicar por que um produto básico, amplamente disponível e produzido por inúmeros fornecedores, chega à mesa da administração com preço tão elevado.
Inexigibilidade que não engole fácil
O próprio extrato do contrato informa que a compra foi feita por inexigibilidade de licitação Leite. A lei permite esse tipo de contratação apenas quando não há possibilidade de competição. Leite, no entanto, não é produto exclusivo, raro ou singular. Há cooperativas, laticínios e produtores em abundância no mercado.
Isso leva a uma constatação simples. A inexigibilidade precisa ser muito bem fundamentada, porque, do jeito que está, não convence nem o consumidor mais desatento do supermercado. Quando não há disputa de preços, o risco é claro. O valor sobe e quem paga a conta não escolhe a marca.
Quem vai ter que chupar essa manga
O contrato é para a alimentação escolar. Cada real pago acima do valor razoável é um real a menos em outras áreas da educação. E se esse padrão de compras se repetir, não há metáfora que esconda o problema. Quem vai ter que chupar essa manga é o povo de Paiçandu, que financia tudo isso com impostos.
Para a administração municipal, o cenário também não é confortável. Se continuar acumulando contratos questionáveis, vai sobrar muito abacaxi para descascar, tanto no campo político quanto no administrativo. Explicar depois é sempre mais difícil do que justificar antes.
Fiscalizar não é atacar
O contrato existe, os valores estão publicados e as perguntas são legítimas. Cabe agora à gestão do prefeito Ismael Batista explicar com clareza por que esse preço foi considerado adequado e por que a concorrência foi afastada. Também é natural que órgãos de controle, como o Ministério Público do Paraná, analisem os documentos para verificar se o procedimento atendeu aos princípios da legalidade, da economicidade e do interesse público.
Pelo jeito, esse leite já vem com muito ferro e, infelizmente, o ferro acaba ficando no povo. O O Diário de Maringá segue à disposição para publicar, de forma integral, qualquer esclarecimento da Fundação de Educação ou da Prefeitura Municipal.
Obs: Imagem da Manchete é feita por IA apenas para ilustração da matéria.


