O Brasil não pode virar uma Ratolândia
Exportar o Método Paraná: risco de constrangimento para o Brasil
O Brasil não pode correr o risco de transformar a política nacional em uma Ratolândia, onde o poder se concentra, as perguntas ficam sem resposta e o discurso oficial tenta substituir a transparência. O que está em jogo não é apenas um projeto eleitoral, mas o próprio limite entre o público e o privado em uma democracia.
O governador Ratinho Junior costuma afirmar que o Paraná é um exemplo para o Brasil. Mas exemplo não se constrói com slogans, marketing ou repetição de frases prontas. Exemplo se constrói com diálogo, prestação de contas e respostas claras quando surgem denúncias graves.
Hoje, o Paraná convive com questionamentos sérios. Há denúncias de suposto caixa dois, dúvidas sobre a atuação de agentes públicos, relações políticas que pedem esclarecimento e uma exposição constante de possíveis candidatos em cargos estratégicos. Diante desse cenário, o silêncio institucional deixa de ser uma opção aceitável.
O secretário Guto Silva surge no centro desse debate. Não se trata de condenação antecipada, mas de um princípio básico da vida pública: ninguém pode pleitear o comando de um Estado sem antes esclarecer, de forma transparente, todas as suspeitas que recaem sobre sua atuação. O poder não pode servir como escudo contra questionamentos legítimos da sociedade.
Também chama atenção o distanciamento do governo estadual em relação a categorias essenciais, como os professores, enquanto se multiplicam relatos sobre interesses privados orbitando decisões públicas. Somam-se a isso denúncias envolvendo grupos empresariais ligados à família do governador, questionamentos ambientais sobre empreendimentos e relatos públicos sobre supostas pendências tributárias de valores milionários. Tudo isso precisa ser explicado com fatos, não com narrativas.
Se já existem dúvidas no plano estadual, é inevitável questionar o que ocorreria em uma eventual projeção nacional desse modelo. Um grupo político que reúne poder institucional, influência econômica e uma extensa rede de comunicação não pode tratar como detalhe o debate sobre o uso de verbas públicas de publicidade federal. O risco de confusão entre governo, negócios e mídia não é teórico. É concreto.
Democracia não comporta feudos políticos nem projetos de poder blindados. O Brasil não pode virar uma Ratolândia, onde tudo se normaliza e nada se esclarece. Antes de qualquer ambição eleitoral, é preciso responder às perguntas que hoje ecoam nos bastidores e fora deles.
Guto Silva precisa esclarecer todas as suspeitas que envolvem seu nome antes de se apresentar como alternativa ao governo do Paraná. Da mesma forma, Ratinho Junior precisa responder, com clareza, sobre sua gestão, suas relações políticas e familiares e o uso da máquina pública.
Sem respostas, não há exemplo.
Sem transparência, não há legitimidade.
E sem limites claros, o Brasil não avança. Retrocede.
O O Diário de Maringá permanece à disposição para publicar, de forma integral, qualquer esclarecimento ou manifestação dos citados, em respeito ao contraditório e ao interesse público.


