Na estrada da política, Lula Opala mantém torque que muito “lançamento” não entrega

Na estrada da política, Lula Opala mantém torque que muito “lançamento” não entrega

A declaração de Flávio Bolsonaro ao comparar Luiz Inácio Lula da Silva a um “Opala antigo” talvez tenha produzido um efeito contrário ao desejado. No imaginário brasileiro, o Chevrolet Opala não representa algo ultrapassado ou descartável. Ao contrário, é símbolo de tradição, resistência e valorização. Um clássico que, bem conservado, pode custar tanto quanto veículos mais novos.

Se Lula fosse um Opala, não seria qualquer modelo. Seria aquele que atravessou décadas, enfrentou crises, saiu de linha e voltou a circular com força. Foi presidente por dois mandatos, elegeu duas vezes sua sucessora, Dilma Rousseff, e mesmo impedido de disputar a eleição de 2018 teve papel decisivo ao impulsionar a candidatura de Fernando Haddad ao segundo turno, após o petista iniciar a campanha com cerca de 5% nas pesquisas.

Em 2022, venceu Jair Messias Bolsonaro, que tentava a reeleição. O dado é histórico. Desde a redemocratização, presidentes que disputaram um segundo mandato conseguiram se manter no cargo. Bolsonaro rompeu essa sequência ao se tornar o primeiro a não se reeleger.

No terceiro mandato, Lula volta a aparecer competitivo no cenário eleitoral. Isso não significa vitória antecipada, mas demonstra capacidade de permanência política. Em um país onde lideranças surgem e desaparecem rapidamente, manter protagonismo por mais de quatro décadas não é algo trivial.

A política brasileira vive de símbolos. O “mito” virou marca registrada. O “Opala antigo” virou crítica. Mas símbolos carregam significados múltiplos. Um carro antigo pode ser sucata ou relíquia. Um líder pode ser visto como ultrapassado ou como experiente. A diferença não está na metáfora, mas na percepção do eleitor.

Pergunte a um opaleiro se ele troca o Opala por qualquer outro carro. Ele até pode trocar de casa, de cidade, de vida, mas de Opala, jamais. Porque Opala não é apenas um carro, é história, é paixão que não se negocia.

É bom Flávio Bolsonaro não subestimar o Opala, pois, se Luiz Inácio Lula da Silva é um Opala, ele demonstrou que, mesmo com muita quilometragem, continua resistente em todas as situações e eficiente para rodar em qualquer terreno.

Redação O Diário de Maringá

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