Sem prefeitos, sem base e sem empolgação: até onde vai a candidatura de Guto?
Candidatura de Guto Silva tem a “Unção ou a Extrema-unção” de Ratinho Junior?
O blog do Zé Beto foi cirúrgico. Disse em poucas linhas o que muita gente comenta nos bastidores do Centro Cívico e poucos têm coragem de colocar no papel. Mesmo sendo o ungido de Ratinho Junior, Guto Silva não será o próximo governador. Simples assim.
A avaliação é dura, mas expõe um problema real. Não basta ser escolhido pelo chefe. É preciso ter densidade eleitoral, apoio de prefeitos e musculatura política própria. E hoje a pergunta que ecoa é direta: Guto tem voto ou tem apenas padrinho?
Governador não se elege por decreto interno. Não é cargo comissionado do Palácio Iguaçu. A máquina ajuda, mas não faz milagre quando falta empolgação na base. E o comentário que circula nos bastidores é ainda mais desconfortável: secretários não comprariam essa briga com entusiasmo. Se dentro de casa há resistência, imagine na rua.

Ratinho Junior pode até insistir no nome do seu núcleo duro. Mas política não é teimosia, é cálculo. Ele terá que decidir se quer perder com um aliado fiel ou ganhar com alguém que preserve seu grupo, ainda que não seja o favorito do gabinete. E, como bem lembrado, esse aliado dificilmente seria Sergio Moro. A convivência política entre os dois nunca foi simples, e confiança em política vale mais que discurso.
Há também a leitura mais maliciosa. Será que estamos assistindo a mais um capítulo de uma negociação silenciosa? Já houve momentos no passado em que candidaturas serviram mais para garantir espaço futuro do que para vencer eleição. Colocar o burro na sombra é estratégia antiga na política paranaense. Quem acompanha sabe.
O problema é que o eleitor não vive de bastidor. Vive de percepção. E a percepção hoje é de uma sucessão construída mais na imposição do que na naturalidade. Quando o debate vira “novelinha mexicana”, é sinal de desgaste precoce. Roteiro repetido, personagens previsíveis e final incerto.
Ratinho Junior ainda é forte politicamente. Mas força pessoal não é transferência automática de voto. Se fosse, todos os governadores elegeriam seus sucessores com facilidade. A história mostra que não funciona assim.
O Paraná pode ter estabilidade administrativa, mas sucessão é outra história. E insistir em um nome que não empolga prefeitos, não une secretários e não mobiliza base pode transformar uma eleição administrável em um risco desnecessário.
Unção não garante vitória. E máquina sem entusiasmo vira peso morto.



