Água com odor e cor alterada: responsabilidade de quem, governador Ratinho Junior?

Água com odor e cor alterada: responsabilidade de quem, governador Ratinho Junior?

A polêmica sobre a qualidade da água em Pinhão ganhou novos contornos após moradores relatarem água escura, turva e com odor em diferentes bairros do município. As queixas levaram vereadores a cobrarem explicações formais da Sanepar, que respondeu garantindo que a água distribuída está dentro dos padrões de potabilidade exigidos pela legislação.

Mas a resposta técnica não foi suficiente para acalmar a população.

O que está acontecendo?

Segundo a companhia, as alterações visuais e olfativas seriam resultado do desprendimento de biofilme nas tubulações. Trata-se de uma camada formada por microrganismos que se acumulam nas paredes internas da rede de distribuição ao longo do tempo. Quando essa película se solta, pode alterar temporariamente a cor e o cheiro da água.

A Sanepar afirma que o fenômeno é conhecido, monitorado e não representa risco à saúde, pois os parâmetros microbiológicos e químicos continuam dentro do limite legal.

A questão, porém, não é apenas técnica. É também de confiança.

Se está tudo dentro do padrão, por que a água sai escura?

É essa a pergunta que ecoa entre moradores. A legislação brasileira estabelece limites claros de turbidez e exige controle rigoroso de cloro residual justamente para evitar proliferação bacteriana na rede. Se o biofilme está se desprendendo com frequência suficiente para alterar a aparência da água, isso não indicaria necessidade de manutenção mais profunda nas tubulações?

Biofilmes são comuns em sistemas de abastecimento no mundo todo, mas estudos científicos apontam que eles podem servir de abrigo para bactérias oportunistas. Em sistemas bem controlados, o risco é reduzido. Em sistemas com falhas de manutenção ou variações de desinfecção, o problema pode se agravar.

A companhia diz que realiza descargas na rede para minimizar o acúmulo. Mas moradores questionam se essas medidas são suficientes ou apenas paliativas.

Transparência é o ponto central

A Sanepar afirma cumprir rigorosamente as normas do Ministério da Saúde e divulgar relatórios periódicos de qualidade da água. Ainda assim, diante da repercussão do caso, cresce a cobrança por:

  • Divulgação detalhada dos laudos por bairro
  • Frequência real das análises microbiológicas
  • Idade média da rede de distribuição em Pinhão
  • Cronograma de manutenção preventiva

Em situações como essa, não basta dizer que “está dentro do padrão”. A população quer entender o que está acontecendo na prática.

O alerta não é pânico, é prevenção

Não há, até o momento, confirmação de contaminação. Mas a discussão expõe um ponto sensível: o envelhecimento das redes de abastecimento em diversos municípios do Paraná.

Água potável não é apenas ausência de coliformes. É também confiança no sistema.

Se o biofilme é algo previsível, o controle precisa ser permanente. Se há desprendimento frequente, a pergunta que precisa ser feita é objetiva: trata-se de evento pontual ou reflexo de infraestrutura que precisa de modernização?

Enquanto técnicos discutem parâmetros, moradores continuam abrindo a torneira e observando a cor da água antes de colocá-la no copo.

E quando a água causa dúvida, a garantia técnica precisa vir acompanhada de transparência absoluta.

É esse o exemplo que Ratinho Junior quer implantar no Brasil: problemas com a água e falta de luz, como acontecem no Paraná?

A reportagem segue acompanhando o caso.

Redação O Diário de Maringá

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