Batalhão sobrecarregado e policiais exaustos: Tenente Hélio expõe realidade da segurança

Batalhão sobrecarregado e policiais exaustos: Tenente Hélio expõe realidade da segurança

Em entrevista ao O Diário de Maringá, conduzida pelo jornalista Gilmar Ferreira, o tenente da Polícia Militar, Hélio, fez um relato contundente sobre a realidade enfrentada por policiais no Paraná, apontando déficit de efetivo, desgaste emocional da tropa e falta de valorização humana como principais problemas da corporação.

A conversa ocorreu após um vídeo publicado pelo oficial nas redes sociais, no qual ele demonstrou solidariedade a um policial falecido e expôs dificuldades estruturais enfrentadas pela Polícia Militar.

Déficit pode chegar a 50%

Durante a entrevista, o tenente afirmou que a falta de efetivo é uma realidade constante nos batalhões por onde passou.

Segundo ele, há unidades operando com aproximadamente 50% do quadro previsto no organograma oficial.

Ele citou especificamente a situação da Polícia Rodoviária Estadual, onde recebeu diversas mensagens de policiais pedindo que ele desse voz à categoria.

“Não creio que exista batalhão com o quadro completo hoje no Paraná”, afirmou.

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Transferência após o desabafo

O tenente confirmou que foi transferido do 32º Batalhão, em Sarandi, para o 7º Batalhão, em Cruzeiro do Oeste.

Ele classificou a transferência como abrupta, já que estava de férias e foi informado no primeiro dia de retorno ao trabalho.

Oficialmente, o motivo apresentado foi a necessidade de suprir falta de efetivo no 7º BPM. No entanto, o próprio oficial questiona a justificativa, uma vez que o batalhão de origem também enfrenta déficit.

Apesar disso, declarou que cumprirá a missão normalmente.

“Sou militar, vou trabalhar lá e desempenhar o mesmo serviço.”

“Vergonha para Maringá”

Elogios à estrutura, críticas à valorização humana

Ao ser questionado sobre o que diria ao governador Ratinho Junior, o tenente reconheceu avanços estruturais.

Ele afirmou que a Polícia Militar do Paraná possui viaturas, equipamentos e tecnologia de ponta, fruto de investimentos recentes do governo estadual.

No entanto, ponderou que ainda falta um olhar mais humano para o policial.

Entre os pontos citados:

  • Carga horária elevada
  • Defasagem no efetivo
  • Desgaste emocional
  • Necessidade de valorização salarial
  • Falta de segurança jurídica

Desmotivação crescente na tropa

O oficial também chamou atenção para a perda de motivação ao longo da carreira.

Segundo ele, muitos policiais ingressam na corporação motivados, mas acabam se desgastando diante da rotina intensa, pressão constante e insegurança jurídica.

“Existe uma linha muito tênue entre o que é certo e o que é errado dentro do serviço policial”, afirmou.

Saúde mental e suicídio na corporação

Ao comentar dados que apontam aumento de mortes por suicídio entre policiais nos últimos anos, o tenente afirmou que o desgaste emocional precisa ser tratado com mais atenção.

Ele destacou que, além da pressão da profissão, o acesso à arma de fogo pode agravar situações de crise.

Para ele, o policial precisa ser visto como ser humano.

“Por trás da farda existe um pai, uma mãe, alguém que sente, que sofre e que precisa de apoio.”

Debate necessário

A entrevista reacende o debate sobre a segurança pública no Paraná, especialmente no que diz respeito ao equilíbrio entre investimentos estruturais e valorização do capital humano.

O relato do tenente Hélio coloca em pauta um tema sensível: a necessidade de reforço no efetivo, atenção à saúde mental da tropa e políticas permanentes de valorização profissional.

O espaço segue aberto para manifestação oficial do Governo do Estado e do Comando da Polícia Militar.

Redação O Diário de Maringá

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