Ratinho Junior comemora superávit; paranaense paga a conta?

Ratinho Junior comemora superávit; paranaense paga a conta?

Ratinho Júnior celebra a organização das contas públicas e o superávit bilionário do Paraná. O discurso é direto: cortes de despesas, enxugamento da máquina e responsabilidade fiscal colocaram o Estado entre os mais equilibrados do país. O caixa virou vitrine.

Parte relevante desse fôlego financeiro não surgiu por milagre administrativo, mas pela venda de patrimônio público estratégico. Com a privatização da Copel, o Estado do Paraná arrecadou aproximadamente R$ 3,16 bilhões. Antes disso, já havia negociado a Copel Telecom, em uma operação que rendeu cerca de R$ 2,39 bilhões aos cofres estaduais.

Somadas, as duas operações representaram algo em torno de R$ 5,55 bilhões em receitas extraordinárias provenientes da alienação de ativos públicos.

Agora, em meio a esse histórico de desestatizações, começam a ganhar força discussões envolvendo a Celepar, reacendendo o debate sobre até que ponto a venda de estatais é estratégia de gestão ou simples antecipação de receitas à custa do patrimônio público.

Os números são expressivos. Reforçaram o caixa e ajudaram a compor o superávit apresentado como símbolo de eficiência administrativa.

Mas há outro lado da conta.

Durante o atual governo, a alíquota modal do ICMS no Paraná foi elevada duas vezes. Hoje, o Estado pratica 19,5%, enquanto Santa Catarina mantém 17%.

A diferença é de 2,5 pontos percentuais.
Em termos proporcionais, o ICMS do Paraná é aproximadamente 14,7% mais alto que o de Santa Catarina.

Conta simples: 2,5 dividido por 17 resulta em cerca de 14,7%.

Na prática, isso significa imposto mais pesado no consumo. E ICMS incide sobre praticamente tudo: combustível, energia elétrica, alimentos, telecomunicações e produtos do dia a dia.

Enquanto o superávit aparece nos relatórios, o cidadão sente o peso no carrinho do mercado, na conta de luz, na bomba do posto , na fatura do celular e na conta da farmácia.

E não é só o imposto. Diversas cidades do Paraná relatam quedas frequentes de energia. No campo, produtores acumulam prejuízos com interrupções no fornecimento. Leite que se perde. Frigoríficos que descartam carga. Irrigação que para. Granjas sob risco sanitário. Pequenos comércios que fecham as portas por horas.

Energia elétrica não é detalhe. É infraestrutura básica. É condição mínima para desenvolvimento industrial, agropecuário e urbano.

A pergunta que permanece é objetiva: parte dos bilhões arrecadados com privatizações foi revertida diretamente para modernização da rede, reforço da distribuição e melhoria concreta do serviço?

Vender patrimônio público pode ser estratégia. Mas transformar receita extraordinária em troféu permanente é outra coisa. Dinheiro de privatização entra uma vez. Não é receita estrutural.

Ao mesmo tempo, o ICMS mais alto amplia a arrecadação contínua. Ou seja, há reforço de caixa extraordinário e também aumento de carga tributária.

O cidadão comum não vive de superávit contábil. Vive de serviço funcionando, imposto equilibrado e energia estável.

Superávit é importante.
Imposto competitivo é estratégico.
Energia confiável é essencial.

Caixa cheio pode impressionar.
Mas é a conta que fecha no fim do mês que define a vida real das famílias paranaenses.

Redação O Diário de Maringá

Redação O Diário de Maringá

Notícias de Maringá e região em primeira mão com responsabilidade e ética

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *