Uma reflexão sem destino: O Ph.D. em Grosseria e o Verniz do “Subizídio”
Não há nada mais tragicômico do que o espetáculo de quem tenta perfumar a própria ignorância com um latim de orelha de livro. O sujeito atravessa a fala de todo mundo, levanta o dedo como se fosse um oráculo e, com a autoridade de quem não deixa ninguém respirar, solta o fatídico “modus operanti”.
É de uma ironia deliciosa. Enquanto ele se enrola com um termo que sequer existe, já que o correto é operandi, ele demonstra que o único método que realmente domina, com maestria e dedicação integral, é a falta de modos. É o tipo de pessoa que confunde volume de voz com profundidade de argumento e interrupção sistemática com inteligência superior.
Para piorar o quadro, quando tenta dar base ao que diz, reclama que falta “subizídio” na discussão. Mal sabe ele que o que lhe falta é subsídio real, com som de “ss”, como manda a regra, e não esse som de “z” que ele arrasta com tanta arrogância. Ele tenta ostentar um vocabulário de luxo, mas entrega uma liquidação de erros de pronúncia. É o clássico caso da embalagem que tenta ser sofisticada, mas o conteúdo é apenas um ruído constante de quem não tem bagagem para sustentar o que fala.
No fundo, ele quer analisar as engrenagens do mundo, mas não consegue operar o básico de um convívio civilizado. Ele arrota termos errados para tentar disfarçar o fato de que é um mestre da inconveniência profissional. A verdade nua e crua é que, para quem vive atropelando a educação alheia, qualquer palavra em latim ou termo técnico é apenas um verniz barato jogado sobre uma lataria enferrujada de grosseria.
Se houvesse um diploma para quem entende de ser desagradável e pretensioso, esse entusiasta do “operanti” e do “subizídio” seria o primeiro da classe, com louvor. Afinal, para ser tão sem educação e ainda tentar parecer culto, é preciso um esforço hercúleo de arrogância.


