Bilhões no caixa e irritação nas redes: empresário da Havan reage a questionamento da vereadora Professora Ana Lúcia
O empresário Luciano Hang, conhecido como “Véio da Havan”, resolveu responder publicamente a uma crítica feita pela vereadora professora Ana Lúcia, de Maringá. O motivo da polêmica é simples: o questionamento sobre a ausência de arborização adequada em frente à nova loja da Havan na cidade.
A resposta veio em tom de deboche. Hang sugeriu que a vereadora deveria pegar uma vassoura e dar uma volta pela cidade. Em seguida, listou aquilo que considera seus “feitos”: investimento de R$ 100 milhões, geração de empregos, pagamento de impostos e melhorias no entorno da loja.
A pergunta que surge é inevitável: desde quando gerar empregos virou favor?
Empresas não contratam trabalhadores por caridade. Elas contratam porque precisam de mão de obra para produzir riqueza e lucro. No caso da Havan, estamos falando de uma companhia que movimenta cifras bilionárias. Em 2025, a rede fechou o ano com faturamento de cerca de R$ 18,5 bilhões e lucro superior a R$ 3 bilhões, um recorde histórico para a empresa.
Ou seja, não há filantropia nessa relação. Há um modelo econômico claro: trabalhadores geram riqueza e a empresa obtém lucro.
Por isso, quando um empresário bilionário responde a um questionamento ambiental ou urbano com ironia, algo parece fora de lugar.
A vereadora não questionou o direito da empresa existir, investir ou lucrar. Questionou algo básico em qualquer cidade moderna: responsabilidade urbana. Plantar árvores, cuidar do espaço público e integrar o empreendimento ao ambiente urbano não é um capricho ideológico. É parte do impacto que um grande empreendimento causa na cidade.
Outro ponto curioso é o discurso recorrente de que empresários “geram empregos” enquanto trabalhadores aparecem apenas como beneficiários dessa generosidade. Na prática, são justamente os funcionários que fazem a engrenagem girar. Sem vendedores, estoquistas, caixas, gerentes e logística, não existe faturamento de bilhões.
Aliás, é bom lembrar que o próprio empresário construiu sua imagem política dizendo que o Brasil corria risco de “virar uma Venezuela”. O tempo passou e a realidade mostrou algo curioso: a Havan continuou crescendo, expandindo lojas e batendo recordes de faturamento.
No fim das contas, a loja foi aberta em Maringá por uma razão simples: lucro. A cidade tem consumo, renda e mercado. Nenhum empresário abre uma unidade por altruísmo.
Por isso, quando um representante eleito questiona aspectos urbanos ou ambientais de um empreendimento, o debate deveria ser tratado com respeito. Democracia funciona assim. Questionar faz parte.
O que não ajuda é transformar qualquer crítica em “mimimi”.
Porque, no fundo, a pergunta da vereadora não era sobre ideologia.
Era sobre árvores.
E quem ficou bravo foi um bilionário.


