Em Paiçandu, parece que só Deus para ajudar
Enquanto muitas cidades enfrentam dificuldades para manter serviços básicos funcionando plenamente, a Prefeitura de Paiçandu decidiu destinar R$ 280 mil do dinheiro público para a contratação de um show da cantora gospel Aline Barros.
O contrato foi firmado por meio de inexigibilidade de licitação, mecanismo permitido pela legislação quando há exclusividade artística, e tem como objetivo a apresentação da cantora no evento “Juntos na Fé”, marcado para o dia 17 de abril de 2026, durante a chamada Semana da Cultura Cristã, instituída por lei municipal.
A contratação foi feita com a empresa Criative Agenciamento Ltda., responsável pela representação da artista, ao custo total de R$ 280.000,00, conforme extrato do Contrato nº 19/2026, publicado no Diário Oficial dos Municípios do Paraná.
A questão que inevitavelmente surge é outra: essa é realmente a prioridade para o dinheiro do contribuinte de Paiçandu?
Em um município que, como tantos outros do interior, enfrenta demandas permanentes em áreas como saúde, infraestrutura urbana, educação e manutenção da cidade, a decisão de gastar quase trezentos mil reais em um único show levanta questionamentos legítimos da população.
Não se trata de discutir a qualidade da artista ou o valor da fé para milhares de pessoas. Eventos culturais e religiosos fazem parte da vida das comunidades e têm sua importância social. O ponto central é outro: o uso de recursos públicos precisa sempre ser acompanhado de responsabilidade e senso de prioridade.
Quando o dinheiro sai do bolso do contribuinte, cada centavo precisa ser avaliado com cuidado. Afinal, R$ 280 mil poderiam significar medicamentos em postos de saúde, melhorias em escolas ou investimentos em infraestrutura urbana.
É justamente por isso que decisões como essa acabam gerando debate público. Em tempos de orçamentos apertados, a pergunta que fica para a administração municipal é simples e direta:
Paiçandu pode mesmo se dar ao luxo de gastar R$ 280 mil em um show?


