Antes de criticar o STF e se posicionar como candidato, Deltan Dallagnol precisa lembrar que está inelegível?
A única coisa boa que Deltan fez na política foi ter deixado a vaga para o deputado Luiz Carlos Hauly.
Nos últimos meses, o ex-procurador da Lava Jato e ex-deputado federal Deltan Dallagnol voltou a ocupar espaço nas redes sociais e no debate público. Em vídeos, palestras e entrevistas, ele critica decisões do Judiciário, especialmente do Supremo Tribunal Federal, e muitas vezes se coloca como uma liderança política que poderia voltar a disputar eleições.
O problema é que existe um fato jurídico incontornável: Deltan Dallagnol está inelegível.
Em maio de 2023, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o mandato de deputado federal conquistado por ele nas eleições de 2022 pelo Podemos, no Paraná. Na decisão, os ministros entenderam que o ex-procurador pediu exoneração do Ministério Público Federal enquanto ainda respondia a procedimentos administrativos disciplinares.
Pela interpretação da Corte Eleitoral, essa saída poderia representar uma tentativa de evitar eventuais punições administrativas. Por isso, o tribunal aplicou as regras previstas na Lei da Ficha Limpa, o que tornou Dallagnol inelegível por oito anos.
Ou seja, independentemente das opiniões políticas sobre o caso, existe uma realidade jurídica clara: ele não pode disputar eleições neste momento.
É justamente por isso que causa estranheza vê-lo criticando o STF com frequência e, ao mesmo tempo, se posicionando publicamente como possível candidato ou liderança política eleitoral. A crítica às instituições é legítima em qualquer democracia. O debate faz parte do jogo democrático.
Mas também é verdade que quem pretende disputar cargos públicos precisa primeiro estar apto a fazê-lo dentro das regras estabelecidas pela própria lei.
Talvez fosse mais prudente que Deltan Dallagnol concentrasse seus esforços em resolver definitivamente sua situação eleitoral antes de voltar a se apresentar como protagonista da política nacional. Afinal, não deixa de ser uma contradição criticar o sistema judicial enquanto se está, justamente, impedido por decisão judicial de participar do processo eleitoral.
Na política, coerência ainda é um valor importante. E, neste caso, ela começa com um fato simples: antes de criticar o STF e se colocar como candidato, Deltan Dallagnol precisa primeiro deixar de estar inelegível.


