Sem Destino, Sem Pauta e Sem Fonética: O Comentarista que comenta o que não sabe

Sem Destino, Sem Pauta e Sem Fonética: O Comentarista que comenta o que não sabe

É reconfortante saber que, no Brasil, temos comentaristas tão dedicados ao jornalismo que dispensam completamente a necessidade de estudar antes de falar. Por que perder tempo com livros, pesquisas ou leituras básicas se o microfone já está ligado e a audiência já está esperando?

Esta manhã foi um desses momentos iluminados. Ao comentar sobre a matriz de transporte brasileira, num contexto de debate sobre o preço dos combustíveis, um comentarista nos brindou com a revelação de que o Brasil investe pouco em transporte pluvial. Pluvial. Como se algum engenheiro, em algum lugar do mundo, tivesse um dia se sentado para projetar uma hidrovia movida a chuva.

Para quem não sabe, e aparentemente o comentarista também não sabia, pluvial vem do latim pluvia e significa chuva. O termo correto seria fluvial, relativo a rios e hidrovias. São palavras diferentes, com significados diferentes, mas detalhes assim claramente não cabem na grade de preparação do nosso ilustre analista.

E já que estávamos num dia tão produtivo, ele também nos presenteou com uma versão criativa da palavra subsídio, pronunciada com o S transformado em Z, como se a fonética do português fosse apenas uma sugestão. Em português, quando o S vem após uma consoante, como em sub-sídio, ele mantém seu som original. Mas quem precisa de regras quando se tem tanta desenvoltura?

É claro que errar ao vivo acontece com qualquer um. O problema é quando o erro não é um tropeço ocasional, mas o retrato fiel de um preparo que simplesmente não existe. Comentar economia, infraestrutura e políticas públicas para milhares de pessoas exige, no mínimo, saber do que se está falando. Não é um padrão elevado. É o básico.

Mas talvez o básico seja mesmo pedir demais. Afinal, para que estudar se o microfone não exige currículo?

Redação O Diário de Maringá

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