Ratinho Jr. em Paranavaí: A gafe que confessou como funciona a engrenagem do poder no Paraná

Ratinho Jr. em Paranavaí: A gafe que confessou como funciona a engrenagem do poder no Paraná

Dívida de R$ 76 milhões?: O clã que governa o PR deve à União enquanto lucra com o Estado

As obras do governo Ratinho Junior no Paraná e os negócios da família Massa caminham em uma harmonia geográfica que desafia a lógica das coincidências, levantando um debate necessário sobre a separação entre o interesse público e o patrimônio privado. No centro dessa engrenagem está a duplicação do Contorno Sul em Maringá, um investimento de R$ 450 milhões que ocorre justamente onde a sede da emissora de TV e rádio da família está sendo erguida, garantindo uma valorização imobiliária e logística imediata ao ativo particular. O padrão se repete na construção da ponte ligando o Paraná ao Mato Grosso, vizinha ao Tayayá Porto Rico, resort de luxo que tem o apresentador Ratinho como sócio e que já foi alvo de questionamentos do Ministério Público Federal por intervenções em área de proteção ambiental. Somando se a isso, a duplicação da rodovia na divisa com Santa Catarina beneficia diretamente a região onde o patriarca da família anunciou novos empreendimentos imobiliários, criando um cenário onde o asfalto pago pelo contribuinte parece pavimentar o lucro dos negócios familiares.

A agenda de Vorcaro

Essa sinergia torna se ainda mais controversa quando observamos a saúde financeira do grupo empresarial frente ao fisco e a origem de suas receitas. Como explicar que as mesmas emissoras de rádio e TV que recebem verbas milionárias do governo estadual para propagar que o “Paraná é exemplo” pertençam ao pai do governador? É um ciclo de autopromoção financiado por estatais como Copel e Sanepar, Porto de Paranagua onde o dinheiro público entra no caixa de uma rede cujos proprietários, por meio de empresas como a Agropastoril Café no Bule, acumularam uma dívida milionária com o Governo Federal, estimada em R$ 76 milhões em débitos inscritos na Dívida Ativa da União. Embora parte dessas cobranças tenha sido objeto de disputas judiciais recentes, a existência de passivos tributários colossais contrasta com a imagem de gestão modelo vendida nas telas da própria família.

Cena do trânsito maringaense

O cerco de interesses se expande também para a prestação de serviços técnicos, onde os vínculos societários de parentes do governador levantam suspeitas de favorecimento em órgãos estratégicos. Um caso emblemático envolve a Celepar, a estatal de tecnologia do estado, que viu os contratos de uma empresa de tecnologia saltarem de modestos R$ 8 milhões para impressionantes R$ 146 milhões após um dos sócios da fornecedora firmar parceria empresarial direta com Gabriel Massa, irmão do governador. Esse crescimento exponencial em licitações com baixa concorrência e indícios de direcionamento aponta para um fenômeno onde ser parceiro de negócios da família real paranaense parece ser o melhor cartão de visitas para vencer certames públicos.

Recentemente, um episódio em Paranavaí ilustrou de forma simbólica a mentalidade que parece reger essa administração. Ao servir carne em um encontro, Ratinho Junior publicou um vídeo afirmando em tom de brincadeira que estava servindo os convidados para que sobrasse mais para ele. O que poderia ser apenas uma gafe de rede social soa, para muitos críticos, como a tradução perfeita da lógica aplicada no Palácio Iguaçu: o uso da máquina pública para servir porções generosas de asfalto, verbas e contratos aos aliados e familiares, garantindo que o banquete do poder sempre reserve o melhor quinhão para quem serve o prato.

O cidadão paranaense tem o direito de questionar se o desenvolvimento do estado está sendo planejado com base em critérios técnicos ou se o mapa de obras e contratos foi desenhado para seguir o rastro dos investimentos imobiliários, de mídia e de tecnologia do clã Massa. A moralidade administrativa exige mais do que a legalidade fria dos editais; exige que o governante não utilize a máquina pública para lubrificar os negócios de seus irmãos e de seu pai. Quando a verba de publicidade sustenta o veículo que elogia o governo, as obras valorizam as terras da família e os contratos estatais multiplicam o faturamento de sócios do irmão do governador, a transparência deixa de ser uma prática e passa a ser uma fachada. O Paraná pode até ser um exemplo, mas a pergunta que fica é: exemplo de eficiência pública ou de uma sofisticada estratégia de expansão patrimonial privada com recursos do povo?

Redação O Diário de Maringá

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