Nelson Tanure e Copel Telecom: A Sombra que Persegue Ratinho Júnior
A desistência de Ratinho Júnior em disputar a Presidência da República pegou o cenário político paranaense de surpresa, especialmente após as movimentações de segunda-feira, dia 22. O governador, que sempre se posicionou como uma liderança jovem e com fôlego nacional, parecia enxergar na candidatura ao Planalto uma vitrine maior do que uma cadeira no Senado. Contudo, o anúncio abrupto de sua permanência no cargo levanta questionamentos profundos sobre o que realmente mudou no tabuleiro político nas últimas horas.
O Almoço de Despedida e a Reviravolta
Naquela segunda-feira, o clima no Palácio Iguaçu era de “até logo”. O presidente da Alep, Alexandre Curi, confirmou em entrevista o teor do almoço com o secretariado e deputados, onde o tom era claramente de encerramento de ciclo para a desincompatibilização. Horas depois, ainda no mesmo dia, o discurso mudou radicalmente. A justificativa oficial de “zelo familiar” e medo do desgaste de uma campanha curta não convence quem acompanha a política de perto. Um político com as aspirações de Ratinho Júnior não abandonaria um projeto nacional por receios que já eram conhecidos desde o início do mandato.
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Sombras sobre as Privatizações
O que realmente parece tirar o sono do Centro Cívico são as movimentações no setor financeiro e jurídico que ganharam corpo recentemente. Rumores sobre uma iminente delação premiada de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, trazem à tona ativos estratégicos como Copel, Compagás e as concessões de rodovias. A relação de proximidade entre figuras ligadas a essas operações e Ratinho Júnior coloca sob suspeita a celeridade com que o governador conduziu as privatizações no Paraná, muitas delas feitas a toque de caixa com parceiros próximos a Vorcaro.
O Trauma do Passado Recente
A história política do estado guarda cicatrizes frescas de governantes que deixaram o cargo com alta aprovação e terminaram o ciclo de forma dramática ao buscar o Legislativo. O receio de que crimes sejam descobertos e investigações avancem enquanto o foro privilegiado está em xeque é um fator determinante para a cautela atual. A influência de nomes como Nelson Tanure, sócio majoritário da Copel Telecom e figura central no mercado, adiciona uma camada de complexidade que Ratinho Júnior parece preferir não testar sob a luz implacável de uma campanha presidencial.


