Inclusão que se ouve e se sente, ação em shopping de Curitiba amplia olhar sobre o autismo sindrômico

Inclusão que se ouve e se sente, ação em shopping de Curitiba amplia olhar sobre o autismo sindrômico

Iniciativa do Instituto Buko Kaesemodel, Vonder e ParkShoppingBarigui convida o público a compreender, na prática, desafios sensoriais e diagnósticos ainda pouco conhecidos

Em meio ao Mês da Conscientização do Autismo, Curitiba recebe, no próximo dia 11 de abril, uma ação que vai além da informação e propõe uma experiência concreta de empatia e inclusão. Promovida pelo Instituto Buko Kaesemodel em parceria com a Vonder e ParkShoppingBarigui, a iniciativa busca ampliar o entendimento sobre o chamado autismo sindrômico, quando o Transtorno do Espectro Autista (TEA) está associado a condições genéticas, como a Síndrome do X Frágil e seus impactos no cotidiano.

A proposta parte de um ponto sensível e ainda pouco debatido: a hipersensibilidade auditiva. Durante a ação, abafadores de ruído serão disponibilizados gratuitamente para pessoas com TEA e síndromes raras, permitindo que circulem pelo shopping com mais conforto e autonomia. Mais do que um recurso funcional, o equipamento simboliza uma adaptação simples, mas essencial, para tornar espaços públicos verdadeiramente acessíveis.

De acordo com especialistas, o autismo sindrômico apresenta desafios adicionais ao diagnóstico e ao acompanhamento, justamente por compartilhar características com o TEA clássico. A falta de informação, nesse contexto, pode atrasar intervenções e dificultar o acesso a terapias adequadas. “Ainda existe uma grande confusão entre diferentes condições do neurodesenvolvimento. Informar é o primeiro passo para incluir”, afirma Luz Maria Romero, gestora do Instituto Buko Kaesemodel.

A ação também busca sensibilizar o público sobre comportamentos frequentemente incompreendidos, como a necessidade de isolamento em ambientes ruidosos ou o uso de dispositivos como abafadores. Para famílias, essas adaptações representam a possibilidade de participação social com mais segurança e dignidade.

Como parte da mobilização, a Companhia Athletica promove, no sábado, uma aula especial de spinning com o uso de abafadores. A proposta não é reproduzir a vivência de pessoas com hipersensibilidade auditiva, mas estimular uma nova percepção do ambiente e provocar reflexão sobre a importância de reduzir estímulos sonoros em determinados contextos. “Queremos convidar os alunos a perceberem como o som influencia diretamente na experiência e no bem-estar durante a atividade. É uma forma de ampliar o olhar para a necessidade de ambientes mais equilibrados e acolhedores para todos”, explica Monica Dellatre.

Dados internacionais reforçam a urgência do tema: estimativas levantadas pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), divulgadas em 2025, apontam que 1 em cada 31 crianças apresenta autismo em algum nível de suporte. Dados do Censo Demográfico de 2025 do IBGE apontam que no Brasil a prevalência está 1 a cada 38 totalizando cerca de 2,4 milhões de pessoas, o que representa em média 1,2% da população brasileira. No caso das síndromes associadas, como o X Frágil, o desconhecimento é ainda maior, o que torna iniciativas de conscientização fundamentais.

Ao levar o debate para um espaço de grande circulação, a ação no shopping convida a sociedade a sair da teoria e enxergar, na prática, como pequenas mudanças podem transformar experiências. Mais do que um evento pontual, trata-se de um chamado coletivo: compreender para respeitar, adaptar para incluir.

A participação é aberta ao público e reforça um movimento cada vez mais necessário,  o de construir cidades e espaços que acolham, de fato, todas as pessoas.

Redação

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