Alta estrutural pressiona preços da energia solar
O mercado de energia solar se prepara para enfrentar um ciclo de alta estrutural nos preços dos equipamentos a partir de 2026. Estimativas de lideranças globais do setor apontam para um aumento acumulado entre 25% e 30%, resultado de fatores que vão desde mudanças na política fiscal chinesa até a valorização recorde de insumos essenciais como prata, alumínio e cobre.
Informações obtidas pelo Canal Solar com executivos do setor apontam que o governo chinês reduziu o incentivo de reembolso do VAT (Value-Added Tax) de 13% para cerca de 9%, elevando o custo de exportação em aproximadamente 9%. Além disso, diretrizes oficiais buscam controlar o excesso de produção e desativar linhas de tecnologias antigas, como PERC, para estabilizar a saúde financeira das fabricantes Tier 1 e evitar a venda de equipamentos abaixo do custo de fabricação.
Outro fator que pressiona os preços é a valorização das commodities. A prata, essencial para a metalização das células fotovoltaicas, atingiu patamares recordes, em alguns casos superando o valor do próprio silício. O alumínio, usado nas molduras, e o cobre, fundamental para a condução elétrica, também registraram altas expressivas, elevando o custo por watt dos módulos.
De acordo com Diego Pimenta, sócio-administrador da E2 Ecoenergia, o cenário exige maior atenção das empresas brasileiras em relação ao planejamento e à previsibilidade de custos. "O alerta não se deve à escassez de produtos, já que os distribuidores mantêm estoques ativos, mas sim à instabilidade de preços. O setor saiu de um período de quedas acentuadas para um ciclo de alta estrutural, fazendo com que o foco mude da disponibilidade para a previsibilidade financeira", explica.
"Projetos mal planejados perdem o equilíbrio entre as esferas comercial e técnica. O risco principal não é a inviabilidade total, mas a queda na qualidade da entrega. Para manter margens de lucro diante da alta dos custos, muitas empresas podem ser tentadas a reduzir a qualidade dos materiais e da mão de obra, negligenciando normas técnicas", afirma. Segundo o executivo, o cumprimento rigoroso das normas, como a NBR 5410 e NBR 17019, ajuda a garantir que a viabilidade técnica suporte o sucesso comercial.
Nesse contexto, estratégias de segurança de fornecimento tornam-se fundamentais. Pimenta destaca a importância de parcerias com distribuidores que operem com marcas Tier 1 e ofereçam maior estabilidade comercial e tecnológica.
"É necessário adotar prazos curtos de validade para orçamentos, adequando-os à volatilidade do mercado. Em contratos de maior duração, é fundamental prever cláusulas de reajuste automático de valores, baseadas na variação do custo dos equipamentos", orienta.
O executivo ressalta ainda que o impacto do reajuste tende a ser mais imediato em projetos comerciais e de grande escala, devido ao volume de investimento inicial. No entanto, Pimenta observa que o segmento residencial também pode ser afetado, principalmente pelo aumento no tempo de payback. "Isso pode quebrar a expectativa dos clientes que buscam retornos muito rápidos, resultando em um esfriamento momentâneo dessa fatia do mercado", avalia.
Para mitigar riscos e manter a competitividade, o planejamento antecipado deve ser o alicerce da organização financeira, comercial e técnica. Na visão do sócio-administrador da E2, empresas que vendem sem o devido planejamento podem acabar entregando baixa qualidade ou enfrentar problemas de caixa.
"Ao trabalhar de forma organizada com distribuidores e focar em marcas estáveis, a empresa consegue honrar seus compromissos, manter sua margem e assegurar que a execução em campo siga o padrão de excelência esperado", conclui.
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