Pastores pegaram 14 anos de prisão. E quem inflamou o ambiente político local vai responder quando?

Pastores pegaram 14 anos de prisão. E quem inflamou o ambiente político local vai responder quando?


Giselli Bianchini e impunidade voltam ao centro da discussão em Maringá. Isso acontece porque a cidade já viu nomes ligados aos atos golpistas serem condenados, enquanto, no campo político, certas figuras ainda parecem atravessar a tempestade sem consequência real. Portanto, a pergunta que fica é direta: a régua da democracia vale para todos ou continua sendo aplicada conforme a conveniência?

Quando a Justiça age, os fatos pesam

Dois pastores ligados à Igreja CIA, de Maringá, foram condenados a 14 anos de prisão por participação e organização dos atos golpistas de 8 de janeiro. Segundo o material já tornado público, eles ajudaram a articular e financiar a ida de pessoas da cidade para Brasília. Ou seja, não se trata de narrativa exagerada. Trata-se de um caso grave, com consequência penal concreta.

Além disso, um dos condenados, Éder Carlos Furlan, já havia sido preso anteriormente por pirataria de CDs e DVDs, segundo o próprio histórico resgatado no material divulgado. Esse detalhe muda o peso da análise. Afinal, não estamos diante de alguém sem antecedentes conhecidos. Estamos diante de um nome que já apareceu antes em episódio policial relevante e que, anos depois, voltou ao noticiário em um caso ainda mais grave.

Pastor Eder Furlan fala quem financiou os ônibus de Maringá para os atos em Brasília

Na política, porém, o tratamento parece outro

No entanto, quando o debate se aproxima de figuras públicas locais que fizeram discursos inflamados, defenderam teses antidemocráticas ou tensionaram o ambiente político, a reação institucional parece perder força. É aí que entra o nome de Giselli Bianchini.

Em 53% dos municípios do PR, professores só alcançam topo da carreira após 25 anos

A vereadora virou símbolo de um tipo de atuação que mistura confronto, provocação e discurso radical. Além disso, há questionamentos públicos sobre sua conduta política, sua atuação nas redes sociais e o uso da tribuna da Câmara para ataques que muitos consideram infundados. Ainda mais grave é o fato de existirem relatos de pessoas que afirmam ter trabalhado em sua campanha e não recebido, além de alegações de que nomes teriam aparecido como doadores sem doação efetiva. Se isso for verdadeiro, o caso exige apuração rigorosa. Se não for, também exige esclarecimento imediato. O que não cabe mais é o silêncio.

O silêncio dos pastores também chama atenção

Há ainda outro ponto que precisa ser enfrentado. Onde estão os pastores e líderes religiosos que tantas vezes falaram em moral, família, ordem e verdade? Agora, diante de condenações pesadas e diante da permanência de discursos radicais no espaço público, o silêncio virou regra. Entretanto, esse silêncio não parece prudência. Parece conveniência.

Porque, quando a fé é usada para legitimar ambiente de ruptura, o problema deixa de ser apenas político. Ele passa a ser moral. Púlpito não pode servir de escudo para radicalismo. Da mesma forma, discurso religioso não pode funcionar como licença para atacar a democracia e depois fingir surpresa quando chegam as condenações.

Blindagem política ou medo de enfrentar o debate?

Por isso, cresce em Maringá a sensação de que existe uma blindagem política em torno de Giselli. Uns pagam caro. Outros seguem falando alto. Uns enfrentam a Justiça. Outros permanecem no palanque, na tribuna e nas redes sociais, como se nada tivesse ocorrido.

Além disso, a própria cidade já viu o tamanho do estrago causado por discursos irresponsáveis. Primeiro, eles inflamam. Depois, contaminam o debate. Em seguida, normalizam o absurdo. E, por fim, tentam se esconder atrás do argumento da liberdade de opinião. Só que democracia não é abrigo para golpismo. Democracia exige responsabilidade.

A pergunta que Maringá não pode evitar

Portanto, a questão continua viva: Giselli Bianchini vai passar impune mais uma vez? A cidade precisa encarar essa pergunta sem medo e sem seletividade. Afinal, se houve responsabilização para quem organizou, incentivou ou participou de atos contra a democracia, também deve haver cobrança firme sobre quem, no ambiente político local, ajudou a alimentar esse tipo de discurso.

Maringá não precisa de mais gritaria. Precisa de coerência. Precisa de memória. E, acima de tudo, precisa deixar claro que mandato eletivo não pode funcionar como salvo-conduto para radicalização, ataque sem prova e discurso irresponsável.

No fim, a democracia não se defende apenas em Brasília. Ela também se defende em Maringá. Ela se defende na tribuna, nas igrejas, nas redes sociais e, sobretudo, na coragem de não tratar como normal aquilo que nunca foi normal.

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Perfil Profissional: Gilmar Ferreira (MTB 0011341/PR) Gilmar Ferreira consolida uma carreira multifacetada como jornalista, apresentador de programas de TV e mestre de cerimônias, unindo o rigor da investigação à fluidez da comunicação ao vivo. Com atuação destacada no Paraná e Santa Catarina, ele imprime autoridade técnica e sensibilidade humana em cada projeto que lidera. Atuação Estratégica Atual Diretor de Redação: O Diário de Maringá. Comentarista: Programa Paraná Cidadesno Canal 10.1 e RDR FM 93,3. Mestre de Cerimônias: Atuação oficial em eventos de destaque no Estado do Paraná. Experiência em Televisão Reconhecido pela presença de vídeo e condução de pautas complexas, Gilmar atuou como apresentador de programas e âncora nas seguintes emissoras: TV Maringá (Band) RIC TV Maringá (Record) Record News (Rede Mercosul) RTV 10 Maringá Trajetória no Rádio Com passagens por emissoras líderes de audiência, sua voz é referência em informação e entretenimento: Paraná: Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Santa Catarina: Rádio Menina FM e Rádio Globo AM (Blumenau)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *