Santo Inácio tem buracos por toda parte, mas a prefeita prefere gastar com show
Serão gastos mais de 70 mil em show enquanto o básio não é feito na cidade
A inversão de prioridades em Santo Inácio aparece de forma clara no cotidiano da população. Basta circular pela cidade para encontrar ruas deterioradas, buracos em vários trechos e dificuldade real para quem precisa trabalhar. Ainda assim, a gestão da prefeita Geny Violatto acredita que há algo a comemorar e direciona dinheiro público para show. Por isso, cresce a percepção de que a prefeitura escolheu a vitrine, quando deveria enfrentar o básico.
A realidade da rua desmente o clima de festa
Quem sai cedo para trabalhar não encontra motivo para celebrar. Pelo contrário, o morador sente no bolso e no corpo os efeitos do abandono urbano. Motociclistas correm mais risco. Motoristas acumulam prejuízo. Pedestres também sofrem com trechos ruins e falta de cuidado. Além disso, comerciantes e produtores dependem de mobilidade mínima para manter a rotina.
Nesse cenário, festa oficial soa deslocada. Afinal, a população não espera espetáculo quando falta manutenção viária. Antes de qualquer comemoração, o cidadão quer respeito com o dinheiro público e resposta concreta para problemas visíveis. No entanto, o que se vê é outro caminho.
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Show não tapa buraco nem resolve a frustração do trabalhador
Buraco não é detalhe administrativo. Na prática, ele atrasa deslocamentos, amplia o risco de acidentes e eleva os custos de quem já vive apertado. Enquanto isso, a prefeitura passa a mensagem de que o palco merece mais atenção que a rua. Dessa forma, a decisão política pesa ainda mais.
Não se trata de negar a importância de eventos. Cultura tem valor. Lazer tem espaço. Contudo, toda escolha pública exige critério, contexto e responsabilidade. Se a cidade estivesse organizada, bem cuidada e com infraestrutura minimamente preservada, uma comemoração poderia ser compreendida de outro modo. Entretanto, quando o asfalto vira motivo diário de reclamação, o gasto com show perde legitimidade política.
O simbolismo dessa escolha desgasta a gestão
Toda aplicação de recurso público comunica uma prioridade. Nesse caso, o símbolo é ruim. De um lado, a administração investe em espetáculo. De outro, o morador segue desviando de buracos. Assim, a festa deixa de representar conquista e passa a representar contraste.
Além do mais, esse contraste agrava o desgaste da gestão. O trabalhador não mede a prefeitura pelo som do palco. Ele mede pela condição da rua, pela qualidade do serviço e pela sensação de cuidado. Se a cidade falha no básico, qualquer gasto festivo tende a parecer propaganda fora de hora.
O que Santo Inácio realmente teria para comemorar
Santo Inácio teria motivo para celebrar se a prefeitura entregasse resultado visível. Rua recuperada, planejamento claro e manutenção eficiente seriam motivos legítimos de aplauso. Da mesma forma, o cidadão reconheceria esforço administrativo se percebesse melhora concreta na vida diária.
Hoje, porém, o sentimento parece seguir na direção oposta. Em vez de orgulho coletivo, cresce a cobrança. Em vez de sensação de avanço, aumenta o incômodo. Portanto, o ponto central permanece evidente: antes de bancar show, a gestão precisava demonstrar compromisso com o essencial.
No fim, a pergunta continua em pé. O que, de fato, a população trabalhadora de Santo Inácio tem para comemorar diante de uma cidade marcada por buracos para todo lado? Sem resposta convincente, sobra a imagem de uma administração que trocou prioridade por aparência. E isso, politicamente, cobra preço.

Hugo e Tiago no dia do trabalhador em Santo Inácio





