Eu estarei no Sinduscon para perguntar: Ratinho Junior vai responder ou fugir outra vez?
Ratinho Junior em Maringá nesta sexta-feira impõe uma pergunta direta, pública e necessária: o governador vai atender a imprensa ou vai repetir o silêncio adotado em Paiçandu? Eu, Gilmar Ferreira, jornalista de O Diário de Maringá, estarei no evento para questionar o governador sobre temas que o Paraná precisa conhecer com clareza.
A posse da nova diretoria do Sinduscon ocorrerá às 8 horas, no Leblock Centro de Eventos e Buffet, na Avenida Colombo, ao lado do Clube Olímpico. Além de Ratinho Junior, Sandro Alex também deve participar da agenda. Portanto, o encontro não será apenas uma cerimônia empresarial. Será, sobretudo, uma oportunidade para que autoridades públicas prestem contas.
A pergunta principal, nesse contexto, é objetiva: haverá coletiva de imprensa ou haverá mais uma blindagem política?
Em Paiçandu, o governador preferiu não responder
Na última passagem pela região, mais precisamente em Paiçandu, Ratinho Junior percebeu a presença deste jornalista e simplesmente ignorou a imprensa. A atitude não atingiu apenas O Diário de Maringá. Pelo contrário, atingiu o direito da população de receber explicações de quem ocupa o cargo mais importante do Paraná.
Desta vez, o governador terá uma nova oportunidade. Ele poderá olhar para a imprensa, ouvir as perguntas e responder com transparência. No entanto, também poderá repetir o roteiro do silêncio, protegido por assessores, seguranças e discursos prontos.
Caso isso aconteça novamente, ficará ainda mais claro que o governo escolhe quando fala, com quem fala e sobre o que fala. Entretanto, quem ocupa cargo público não pode tratar pergunta jornalística como ameaça. Afinal, autoridade pública deve satisfação à sociedade, não apenas aos aliados.
Hospital do Litoral exige explicações
Quero perguntar ao governador sobre o Hospital do Litoral. Médicos do próprio hospital denunciaram falta de estrutura, dificuldades graves no atendimento e até suposta utilização de instrumental inadequado em procedimentos. Portanto, uma denúncia dessa natureza exige resposta imediata do governo estadual.
O governador vai informar se abriu investigação? A Secretaria de Saúde apurou os relatos? Existem documentos, providências e prazos? Ou o governo vai tratar denúncia de profissionais da saúde como simples ruído político?
Quando médicos denunciam problemas dentro de um hospital público, propaganda não resolve. Além disso, pacientes não podem depender de vídeos institucionais enquanto profissionais relatam dificuldades reais. Por isso, Ratinho Junior precisa explicar o que fez, o que fará e quem será responsabilizado se houver confirmação das falhas.
Banco Master e a empresa em Marumbi entram na pauta
Também pretendo perguntar sobre a ligação da família Massa com o Banco Master. O Diário de Maringá foi até Marumbi para apurar informações sobre uma empresa ligada ao entorno familiar do governador. Segundo informações já divulgadas, essa empresa teria recebido cerca de R$ 21 milhões do Banco Master.
Há, entretanto, pontos que exigem esclarecimento público. A empresa teria movimentação compatível com esse volume financeiro? O endereço visitado apresenta estrutura proporcional aos valores recebidos? Nos últimos anos, a emissão de notas teria ocorrido praticamente apenas para o Banco Master?
Diante disso, Ratinho Junior vai responder? O governador considera normal essa relação comercial? O assunto envolve apenas sua família ou também afeta a imagem pública do chefe do Executivo estadual?
Não estou condenando ninguém antecipadamente. Contudo, quando familiares diretos de um governador aparecem em operações milionárias com um banco cercado por questionamentos públicos, a imprensa tem obrigação de perguntar. Portanto, o silêncio não pode substituir explicações.
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Sanepar, Guto Silva e o suposto caixa dois
Outra pergunta envolve as denúncias sobre a Sanepar. O caso trata de suposta pressão contra funcionários em cargos de confiança para doação de dinheiro. Segundo denúncias já divulgadas, os valores teriam relação com dívidas de campanha do grupo político ligado ao governador.
Ratinho Junior sabia dessas denúncias? Depois da divulgação dos fatos, determinou investigação interna? A Sanepar abriu procedimento administrativo? Os servidores citados receberam proteção contra eventual retaliação?
Além disso, o governador precisa explicar qual teria sido o papel de Guto Silva nesse episódio. Afinal, as denúncias mencionam suposta coordenação política para arrecadar valores dentro de uma estrutura ligada ao Estado.
Se o governo nada deve, deve explicar. Caso nada tema, deve abrir os documentos. Por consequência, a sociedade poderá avaliar fatos, versões e responsabilidades com base em informação concreta.
Olho Vivo: programa suspenso e suspeita milionária
Também vou questionar Ratinho Junior sobre o programa Olho Vivo. O projeto foi suspenso após apontamentos de órgãos de controle, que levantaram dúvidas sobre valor, modelo de contratação, privacidade e riscos administrativos.
Além disso, surgiram denúncias sobre uma suposta propina de R$ 100 milhões. O Diário de Maringá não condena ninguém antes da apuração. Entretanto, cobra explicação pública porque o valor envolvido é gigantesco e porque o programa trata de vigilância, tecnologia, dados pessoais e segurança pública.
Quem elaborou o edital? Qual autoridade autorizou o formato? O governo vai refazer o processo? Os documentos serão abertos integralmente? Haverá responsabilização se os órgãos de controle confirmarem irregularidades?
Enquanto essas respostas não aparecem, o caso continua como uma sombra sobre o discurso de eficiência do governo Ratinho Junior. Portanto, o governador precisa falar.
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Ameaças contra jornalistas não podem ser normalizadas
Outra pergunta precisa ser feita. Ratinho Junior vai se manifestar sobre as ameaças atribuídas ao seu pai, Carlos Massa, contra o jornalista Marcos Fhormighieri? Segundo relatos públicos, o apresentador teria falado, em rede nacional de rádio, sobre quebrar as pernas do jornalista com um taco de beisebol.
Esse tipo de fala não pode ser tratado como brincadeira. Além disso, não pode virar método de intimidação contra quem investiga, pergunta e publica.
Também quero perguntar sobre as ameaças que eu, Gilmar Ferreira, passei a receber após ir a Marumbi investigar a empresa ligada à família Massa e após publicar matérias sobre suspeitas envolvendo o governo estadual.
Ratinho Junior vai repudiar essas ameaças? Defenderá a liberdade de imprensa? Reconhecerá a gravidade de jornalistas serem intimidados após reportagens investigativas?
A democracia não combina com intimidação. Portanto, qualquer tentativa de calar jornalistas precisa receber resposta pública, firme e institucional.
Sandro Alex também precisa responder
Sandro Alex estará no mesmo evento. Por isso, também precisa responder. Ele deve explicar se pretende dar continuidade integral ao governo Ratinho Junior, inclusive nos pontos mais polêmicos.
Qual é a posição de Sandro Alex sobre a entrega das rodovias do Paraná ao pedágio? Ele concorda com o atual modelo de concessões? Caso seja eleito governador, pretende privatizar a Celepar? Além disso, manterá projetos questionados da atual gestão?
Essa pergunta importa porque Sandro Alex se apresenta como nome do grupo que governa o Paraná. Assim, ele não pode escolher apenas o lado confortável da herança. Quem assume a continuidade política também assume as perguntas, os desgastes e as controvérsias.
Vão deixar O Diário de Maringá entrar?
A pergunta final é objetiva: O Diário de Maringá terá acesso ao evento? A imprensa poderá perguntar? Haverá coletiva? Ou seremos impedidos de entrar, isolados ou ignorados?
Se o evento tem presença de governador, pré-candidato e lideranças políticas, a imprensa precisa ter acesso. Além disso, a população precisa saber se seus governantes respondem perguntas ou apenas frequentam ambientes controlados.
Eu estarei lá. O Diário de Maringá estará lá. As perguntas serão feitas, caso permitam que sejam feitas. E, se não permitirem, isso também será notícia.
Por fim, fica aberto o espaço para manifestação do Governo do Paraná, de Ratinho Junior, de Sandro Alex, do Grupo Massa, da Sanepar, da Secretaria de Estado da Saúde e dos demais citados nesta reportagem.





