Sandro Alex pede proteção contra o atraso, mas defende a continuidade de Ratinho
Sandro Alex pede ao Arcanjo Miguel proteção contra o atraso, as mentiras e o ódio. Entretanto, sua pré-candidatura nasce com a promessa de continuar o governo Ratinho Junior, hoje cercado por suspeitas, escândalos e contradições públicas.
A fé de Sandro Alex merece respeito. Porém, quando uma manifestação religiosa parte de um pré-candidato ao Governo do Paraná, ela também ganha leitura política. Afinal, quem pede proteção contra o atraso precisa explicar por que deseja herdar um projeto que adversários associam justamente ao atraso institucional.
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Nesse caso, a contradição é evidente. Sandro Alex não se apresenta como ruptura. Ao contrário, ele foi escolhido para representar a continuidade do grupo de Ratinho Junior. Portanto, também carrega o peso político do Banco Master, das denúncias envolvendo a Sanepar, dos questionamentos sobre a Copel, das suspeitas sobre empresas ligadas ao entorno familiar do governador e da relação hostil com parte da imprensa.
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Além disso, o Paraná vive um ambiente preocupante. Jornalistas relatam ameaças. Professores cobram diálogo. Prefeitos reclamam de promessas não cumpridas. Enquanto isso, obras e anúncios seguem ocupando mais espaço no marketing do que na vida real de muitos municípios.
O pedido ao Arcanjo e o peso do palanque
Ao pedir proteção contra mentiras e ódio, Sandro Alex precisa olhar para dentro do próprio grupo. O pai do governador já entrou no debate público por episódios de intimidação contra jornalista. Do mesmo modo, o governo enfrenta desgaste com a crise no Hospital Regional do Litoral, com a falta de negociação com professores e com recursos prometidos, mas ainda não entregues às prefeituras.
Por isso, a pergunta surge naturalmente: Sandro Alex quer combater o atraso ou apenas administrá-lo com outro discurso?
Não basta invocar o Arcanjo Miguel nas redes sociais. Antes disso, é necessário enfrentar os problemas políticos do próprio palanque.
Marcelo Rangel também aumenta o desgaste
Outro ponto sensível envolve Marcelo Rangel, irmão de Sandro Alex. O ex-prefeito de Ponta Grossa teve condenação mantida pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná por irregularidades na gestão de pessoal e no descumprimento de acordos trabalhistas.
Conforme as informações divulgadas, o caso envolve TACs firmados com o Ministério Público do Trabalho, pendências relacionadas ao FGTS e passivos milionários para os cofres públicos. Embora essa situação não condene Sandro Alex por tabela, ela aumenta o custo político de qualquer discurso moralista.
Fé não pode virar cortina de fumaça
Sandro Alex tem direito à fé. No entanto, fé não substitui explicação pública. Se pretende defender o Paraná do atraso, ele precisa dizer se romperá com os vícios do governo Ratinho. Caso queira combater mentiras, deve defender transparência real. Além disso, se deseja enfrentar o ódio, precisa condenar ameaças contra jornalistas e ataques a quem questiona o poder.
Caso contrário, a oração vira peça de marketing.
No fim, se o Arcanjo Miguel atender literalmente ao pedido de Sandro Alex, talvez a primeira missão seja impedir que o Paraná continue no mesmo caminho que ele promete preservar.





