Diárias, Ponte de Guaratuba e silêncio oficial: Santo Inácio precisa explicar a cronologia
As diárias de Santo Inácio para Curitiba exigem explicação pública. Não se trata apenas de responder ao O Diário de Maringá. Trata-se de responder aos moradores que pagam impostos e têm direito de saber como o dinheiro público seria utilizado.
Diárias somavam R$ 4.080
Documentos contábeis mostram que três diárias foram previstas para viagem entre 28 e 30 de abril de 2026, com destino formal a Curitiba.
A justificativa citava agendas na Alep, Secretaria das Cidades, Casa Civil, Sedef e AMP. No entanto, os empenhos aparecem depois como cancelados.
Os nomes e valores identificados são:
- Wagner José Slemer: R$ 1.460,00
- Geny Violatto: R$ 1.460,00
- Rafael Valério de Jesus: R$ 1.160,00
O total previsto chegava a R$ 4.080,00.
Cronologia levanta dúvida
O ponto sensível está na data. O cancelamento aparece no sistema com registro de 20 de abril de 2026.
Entretanto, informações de bastidores apontam que a decisão teria ocorrido depois do anúncio do governador sobre a mudança da inauguração da Ponte de Guaratuba.
Por isso, a pergunta é inevitável: o cancelamento das diárias foi lançado de forma retroativa?
Se foi, por qual motivo?
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Curitiba ou Guaratuba?
Uma viagem oficial para Curitiba pode ter justificativas administrativas legítimas. Porém, se a agenda real incluía participação em uma inauguração no litoral, em Guaratuba, a situação muda de natureza.
Afinal, uma ponte em Guaratuba não tem relação direta com as urgências administrativas de Santo Inácio.
Além disso, Santo Inácio também tinha compromissos locais ligados ao Show do Trabalhador. Portanto, se a comitiva desistiu da viagem após a mudança da data da inauguração, a prefeitura precisa explicar por que o sistema aponta cancelamento anterior.
Silêncio não resolve
A prefeita, até aqui, não tem respondido oficialmente aos questionamentos feitos pelo jornal.
Entretanto, o silêncio não encerra a dúvida. Pelo contrário, amplia a necessidade de esclarecimento.
Gestor público não presta contas apenas quando quer. A administração deve explicações não porque a imprensa pergunta, mas porque a população tem direito à transparência.
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Prefeitura precisa apresentar documentos
A prefeitura pode resolver o caso de forma simples. Basta apresentar o processo completo das diárias.
Também precisa divulgar os pedidos originais, os despachos de autorização, os atos de cancelamento, a data real da decisão e a justificativa assinada.
Enquanto isso não ocorre, permanecem perguntas objetivas:
- As diárias foram canceladas em qual data real?
- Quem determinou o cancelamento?
- Houve lançamento retroativo no sistema contábil?
- A viagem tinha relação com a Ponte de Guaratuba?
- Por que a prefeitura não responde oficialmente?
Transparência é obrigação
Se tudo ocorreu corretamente, os documentos provarão.
Porém, quando o silêncio substitui a transparência, a dúvida deixa de ser apenas jornalística. Ela passa a ser pública.
Segundo relatos de bastidores, a viagem só foi cancelada e o empenho das diárias foi estornado após matéria do O Diário de Maringá questionar os gastos para participação em um evento político do governador, custeado com dinheiro público.
Em dinheiro público, a forma também importa. E, quando a forma não convence, explicar deixa de ser opção. Vira obrigação.





