Se de um lado crianças terão equoterapia, do outro quem monta na grana é a SRM
Projeto de equoterapia tem importância social
Maringá precisa discutir com seriedade o novo centro gratuito de equoterapia anunciado para o Parque Internacional de Exposições. O projeto tem importância social, pode ajudar crianças, jovens e adultos que precisam de acompanhamento terapêutico e merece reconhecimento pelo benefício direto às famílias.
A equoterapia auxilia no desenvolvimento motor, emocional e social de pacientes com deficiência, transtornos neurológicos e outras limitações. Portanto, o acesso gratuito ao tratamento pode representar melhora concreta na qualidade de vida de muitas famílias de Maringá e região.
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A assinatura do convênio ocorreu com a presença do diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, do vereador Mario Verri, de representantes da Uningá e da diretoria da Sociedade Rural de Maringá.
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Itaipu vai investir R$ 1,6 milhão
No entanto, uma coisa precisa ficar clara: quem viabiliza financeiramente a terapia é a Itaipu Binacional. O convênio prevê investimento de R$ 1,6 milhão para implantação do centro de equoterapia dentro do Parque Internacional de Exposições.
O acordo foi assinado pelo diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, que tem destinado recursos importantes para entidades e municípios do Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Portanto, a Sociedade Rural de Maringá não está oferecendo nada de graça com recursos próprios. A SRM entra como parceira e gestora do espaço, enquanto o investimento direto do projeto terapêutico vem da Itaipu.
Além disso, a entidade ainda deve contar com quase R$ 60 milhões do Governo do Paraná para obras de estrutura no parque.
Assim, a frase resume bem o cenário: se de um lado crianças terão terapia, do outro quem monta na grana é a SRM.
Expoingá movimenta milhões e precisa dar transparência
Também não basta dizer que a Expoingá gera empregos. Gera, sim, mas não por caridade. Gera porque precisa de mão de obra para funcionar, montar estruturas, vender ingressos, atender o público, limpar, vigiar e organizar seus espaços.
Outro argumento recorrente é o dos “bilhões em negócios”. Porém, a pergunta continua necessária: esses bilhões geram impostos, mas quanto desse dinheiro permanece efetivamente em Maringá?
A Expoingá cobra entrada, cobra shows, recebe patrocínios, vende espaços para expositores e ainda aluga o parque durante o ano inteiro. Nos dias de entrada gratuita, o Município paga a operação.
Até os alimentos arrecadados durante campanhas saem principalmente do bolso do povo que faz as doações. Por isso, a sociedade tem o direito de questionar qual é a contrapartida efetiva da entidade para a população.
Maringá precisa discutir um novo modelo
Maringá precisa repensar o formato da Expoingá e a relação entre recursos públicos e benefícios sociais permanentes.
A entidade Pra Somar poderia ajudar a transformar parte da força econômica da feira em ações mais amplas para os maringaenses. Esses recursos poderiam fortalecer projetos sociais, apoiar escolas, ajudar unidades de saúde e atender demandas urgentes da população de maneira mais rápida.
A equoterapia gratuita merece apoio. Porém, dinheiro público, convênios, bilheteria, patrocínios, aluguel de espaços e arrecadação milionária também exigem transparência e prestação de contas clara. Afinal, Maringá precisa saber quem realmente ganha com a Expoingá e quanto desse ganho retorna para a população.
Imagem da manchete feita por IA




