Produtos duráveis ganham espaço com avanço do consumo consciente no Brasil
Produtos duráveis ganham espaço com avanço do consumo consciente no Brasil
Em cenário de consumo acelerado, cresce a valorização por itens feitos à mão, com maior vida útil e produção mais sustentável
Em um cenário marcado pelo consumo rápido e pela obsolescência de produtos, cresce no Brasil a valorização de itens com maior durabilidade e produção mais consciente. O movimento acompanha uma mudança no comportamento do consumidor, que passa a priorizar qualidade, longevidade e impacto ambiental, em detrimento de compras frequentes e descartáveis.
A tendência está alinhada ao avanço do consumo consciente e de práticas como sustentabilidade e redução de resíduos. Mais do que preço, fatores como origem do produto, processo de fabricação e tempo de vida útil vêm ganhando peso na decisão de compra.
Produtos feitos à mão e com processos artesanais voltam a ganhar relevância. Ao privilegiar materiais de maior qualidade e produção em menor escala, essas marcas se posicionam como alternativa ao consumo massificado e de curto prazo. “A lógica do consumo está mudando. As pessoas estão percebendo que vale mais investir em um produto que dure anos do que substituir com frequência algo de menor qualidade”, afirma Jarbas Carneiro de Freitas, diretor da Carneiro Colchões Artesanais.
Especializada na produção 100% artesanal, a Carneiro Colchões se insere nesse movimento ao apostar em durabilidade e personalização como pilares do negócio. A proposta da empresa é oferecer produtos que acompanhem o cliente por longos períodos, reduzindo a necessidade de descarte e reposição.
Esse posicionamento se traduz em números. Os colchões produzidos pela empresa têm durabilidade estimada entre 8 e 20 anos, com garantia de até 10 anos, acima da média do mercado. A estrutura de molas, considerada um dos principais fatores de resistência e conforto, também é um diferencial: enquanto grande parte da indústria utiliza entre 150 e 180 molas ensacadas por metro quadrado, a Carneiro trabalha com 255 molas por metro quadrado, o que contribui para maior vida útil e desempenho do produto.
Para o empresário, a mudança também está ligada a uma reflexão mais ampla sobre o impacto do consumo. “Quando o produto dura mais, você reduz o descarte e o impacto ambiental. É um modelo que faz sentido tanto do ponto de vista econômico quanto sustentável”, explica.
Além da produção artesanal, a história da empresa reforça outro aspecto valorizado pelo consumidor contemporâneo: o fator humano. Fundada e mantida por uma estrutura familiar, a Carneiro Colchões reúne diferentes gerações no dia a dia da operação. “Temos pessoas que estão com a gente desde o início da empresa. Há casos de profissionais que começaram aqui, formaram família e hoje trabalham ao lado dos filhos. Isso cria uma relação diferente com o trabalho e com o produto”, destaca Jarbas.
Em alguns casos, o vínculo ultrapassa gerações. Funcionários que começaram ainda jovens acompanharam o crescimento da empresa e hoje veem seus filhos integrando a equipe, mantendo uma cultura baseada em continuidade, conhecimento e valorização do trabalho manual.
O movimento aponta para uma reconfiguração do consumo, em que o valor percebido passa a estar mais associado à longevidade e à qualidade do que ao preço ou à frequência de compra. A tendência acompanha uma lógica mais sustentável e racional, que deve ganhar força nos próximos anos.




