Ex-tenente Hélio Carvalho não soube explicar holerite de abril e apagou documento após questionamento

Ex-tenente Hélio Carvalho não soube explicar holerite de abril e apagou documento após questionamento


A saída de Hélio Carvalho Martins Filho da Polícia Militar do Paraná abriu uma sequência de dúvidas administrativas, políticas e eleitorais. Em conversa por WhatsApp com O Diário de Maringá, Hélio afirmou que deixou a corporação em 27 de março de 2026.

No entanto, o Portal da Transparência registra holerite na referência ABR/2026, com valor bruto de R$ 19.135,40 e remuneração líquida de R$ 13.618,31.

Além disso, outro ponto causa estranheza. Durante a conversa, quando a reportagem questionou o motivo de ele ter recebido o valor integral, Hélio perguntou de onde O Diário de Maringá havia tirado a informação de que sua saída ocorreu em 14 de abril. A resposta foi objetiva: a data constava em documento enviado pelo próprio Hélio à reportagem. Logo depois, segundo registro da conversa, ele apagou o arquivo.

Esse detalhe não prova irregularidade. Porém, reforça a necessidade de explicação pública. Afinal, se o documento indicava saída em 14 de abril, por qual motivo foi apagado após o questionamento sobre o pagamento integral?

O deputado federal Mario Frias (PL-SP), que tem fugido de intimação judicial, parece ter entrado numa fria.

Duas situações precisam ser explicadas

O caso agora envolve duas informações que precisam ser esclarecidas. A primeira é a data informada por Hélio na conversa, 27 de março. A segunda é o pagamento de abril registrada no Portal da Transparência.

Hélio também não soube dizer se o holerite exibido em abril corresponde à folha de março ou se representa pagamento efetivo de abril. Portanto, a dúvida precisa ser esclarecida com documentos oficiais.

Se o holerite de abril corresponder ao mês de março, há outro questionamento. Como ele afirma ter trabalhado até 27 de março, deveriam constar os descontos dos três dias não trabalhados. Isso, aparentemente, não ocorreu, já que o registro indica pagamento como se tivesse recebido até 30 de março.

Por outro lado, se o holerite de abril corresponder realmente ao mês de abril, o próximo lançamento, provavelmente em maio, deverá trazer os direitos rescisórios e também os descontos do mês inteiro de abril, período em que ele não trabalhou, além dos três dias de março.

Assim, O Diário de Maringá vai aguardar o próximo holerite, que deverá ser o último, para verificar se haverá acerto, desconto ou compensação administrativa.

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Não é perseguição, é fiscalização

Não se trata de perseguição ao ex-tenente. Trata-se de perguntas que precisam ser feitas quando há dinheiro público, Portal da Transparência e possível candidatura política no mesmo contexto.

Na condição de jornalista e cidadão, eu, Gilmar Ferreira, do O Diário de Maringá, tenho o direito de perguntar, apurar e informar nossos leitores. A sociedade também tem o direito de saber se os valores pagos estão corretos, se houve desconto proporcional e se haverá acerto final.

Saída da PM foi escolha, desgaste ou estratégia?

Além da questão financeira, há outro ponto sensível. Hélio saiu da Polícia Militar por livre vontade, por desgaste interno ou para evitar responder administrativamente por suas atitudes dentro da corporação?

A pergunta é legítima porque, na conversa por WhatsApp, ele afirmou que já respondeu a vários processos. Também há menção a possível questão criminal, ponto que ainda precisa ser confirmado por documentação oficial.

Dessa forma, o debate não pode ficar apenas no campo da narrativa pessoal. Se Hélio pretende entrar na política, precisa explicar se busca mandato por ideal público ou se vê a política como caminho para ganhar influência, poder e blindagem contra eventuais consequências de sua passagem pela PM.

Comparação com Deltan exige cautela

Nos bastidores, o caso passou a ser comparado ao de Deltan Dallagnol, que deixou o Ministério Público Federal antes de disputar eleição e depois teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral.

A situação de Hélio não é igual e precisa ser tratada com cautela. Até agora, não há decisão pública que indique inelegibilidade, condenação ou cassação contra ele. Mesmo assim, a comparação política surge porque ambos deixaram carreiras públicas antes de disputar espaço eleitoral.

A pergunta permanece: se Hélio for eleito deputado e enfrentar uma polêmica capaz de ameaçar o mandato, fará na política o mesmo movimento que fez na Polícia Militar?

Se houve perseguição, por que usar o título?

Outro ponto chama atenção. Hélio afirma que teria sofrido perseguição dentro da Polícia Militar. Apesar disso, continua utilizando politicamente o título de “tenente”.

A dúvida é direta: se ele não é mais policial militar da ativa e não exerce mais a função, por que insiste em usar um título que já não corresponde à sua condição atual?

O uso do título pode gerar capital eleitoral. Além disso, pode transmitir ao eleitor uma imagem institucional que, hoje, precisa ser melhor explicada.

Vaquinha on-line arrecadou apenas R$ 90

Hélio também realizou uma vaquinha on-line. A prática é permitida pela legislação eleitoral, desde que os valores sejam declarados corretamente à Justiça Eleitoral.

O que chama atenção é o resultado. Apesar de ter cerca de 206 mil seguidores, a arrecadação informada teria sido de apenas R$ 90. O Diário de Maringá espera que todos os valores estejam devidamente declarados.

Mesmo assim, fica outra pergunta: a força digital de Hélio se traduz em apoio político real ou apenas em audiência nas redes?

Em consulta realizada nesta terça-feira, 20/05/2026, às 18h45, Hélio ainda aparece como servidor da ativa no site do Governo do Paraná. A dúvida que fica é: o sistema ainda não foi atualizado ou ele continua oficialmente vinculado à ativa?

Espaço aberto

O Diário de Maringá mantém espaço aberto para Hélio Carvalho Martins Filho apresentar sua versão. O espaço vale para esclarecer a data exata da saída, os holerites, os eventuais direitos rescisórios, os descontos, os processos citados, a possível pendência criminal, a vaquinha on-line e o uso público do título de tenente.

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Redação O Diário de Maringá

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