Japão cobra mais impostos que o Brasil e ainda garante jornada menor de trabalho
Escala 5×2 é viável no Brasil, e a carga tributária não pode virar desculpa
A escala 5×2 no Brasil ganhou força porque milhões de trabalhadores já não aceitam mais uma rotina que consome quase toda a semana. Além disso, a comparação internacional mostra que o argumento da carga tributária não se sustenta sozinho.
Hoje, o Brasil permite jornada de até 44 horas semanais. No entanto, vários países com impostos iguais ou maiores adotam jornadas menores. Portanto, o problema brasileiro não está apenas no tributo, mas também na baixa produtividade, na burocracia, na gestão ruim e no pouco retorno dos impostos à população.
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Países trabalham menos e pagam mais impostos
| País | Jornada padrão/legal | Carga tributária sobre o PIB |
|---|---|---|
| Brasil | 44h semanais | cerca de 32,2% |
| Japão | 40h semanais | cerca de 33,5% |
| França | 35h semanais | acima de 43% |
| Alemanha | 38h a 40h | cerca de 38% |
| Holanda | 36h a 40h | cerca de 38% |
| Dinamarca | 37h | acima de 45% |
| Suécia | 40h | acima de 40% |
| Portugal | 40h | cerca de 35% |
| Espanha | 40h | cerca de 37% |
| Itália | 40h | acima de 40% |
Desse modo, fica difícil dizer que imposto impede jornada menor. Afinal, países que cobram mais também conseguem organizar melhor o trabalho. Além disso, eles entregam mais produtividade, melhor transporte, saúde mais estruturada e maior qualidade de vida.
França fez transição gradual
A França reduziu a jornada legal para 35 horas semanais. Porém, a mudança ocorreu por etapas. Primeiro, o país aplicou a regra em empresas maiores. Depois, ampliou o modelo para outros setores.
Além disso, a França usou acordos coletivos, reorganização interna e regras para horas extras. Portanto, o país não simplesmente “cortou horas” sem planejamento. Pelo contrário, ajustou a economia para produzir melhor em menos tempo.
Japão mostra outro caminho
O Japão tem jornada legal padrão de 40 horas semanais. Ainda assim, o país enfrentou problemas graves com excesso de horas extras. Por isso, o governo passou a combater a cultura do trabalho excessivo.
Com isso, empresas japonesas começaram a adotar horários mais flexíveis, controle de horas extras e novos modelos de gestão. Ou seja, até um país conhecido pela disciplina extrema percebeu que trabalhar demais pode reduzir saúde, produtividade e qualidade de vida.
Islândia virou referência
A Islândia testou semanas de 35 a 36 horas, sem corte salarial. Como resultado, muitos locais mantiveram ou ampliaram a produtividade. Além disso, trabalhadores relataram menos estresse e melhor equilíbrio familiar.
Depois disso, sindicatos ampliaram acordos semelhantes. Portanto, a experiência mostrou que jornada menor pode funcionar quando existe organização, metas claras e gestão eficiente.
Brasil precisa discutir produtividade
No Brasil, muitos trabalhadores passam mais tempo no serviço, mas produzem menos por hora que profissionais de países ricos. Entretanto, isso não ocorre por falta de esforço. O problema envolve transporte ruim, baixa tecnologia, excesso de burocracia, gestão fraca e pouca qualificação.
Além disso, jornadas longas aumentam cansaço, afastamentos, erros e rotatividade. Consequentemente, empresas também perdem dinheiro com desgaste humano e baixa eficiência.
Transição pode ser feita sem aventura
A escala 5×2 não precisa entrar de uma vez em todos os setores. Ao contrário, o Brasil pode criar uma transição responsável.
Primeiro, setores administrativos, tecnologia, comércio estruturado e parte da indústria poderiam se adaptar. Depois, pequenos negócios poderiam receber prazo maior, simplificação tributária e incentivo à digitalização.
Além disso, saúde, segurança, transporte e logística poderiam ter regras próprias. Dessa forma, o país evitaria choque econômico e, ao mesmo tempo, avançaria na qualidade de vida do trabalhador.
Trabalhar mais não significa produzir mais
A discussão precisa sair da frase pronta. O Brasil cobra muito, entrega pouco e ainda exige muitas horas de trabalho. Portanto, a carga tributária não pode servir como desculpa para manter escalas desgastantes.
A escala 5×2 exige planejamento. Porém, os exemplos internacionais mostram que ela é possível. Mais do que isso, mostram que produtividade depende menos de horas acumuladas e mais de organização, tecnologia, gestão e valorização de quem trabalha.
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