IA já é competência básica para entrada no mercado de trabalho



Avanço da tecnologia redefine funções, transforma vagas iniciais e amplia a demanda por profissionais mais qualificados

A inteligência artificial (IA) já deixou de ser tendência para se consolidar como um dos principais motores de transformação do mercado de trabalho. Presente em diferentes setores da economia, ela tem impactado diretamente a forma como jovens ingressam no mundo profissional, ao mesmo tempo em que reconfigura funções e amplia a exigência por novas competências.

Um relatório de empregabilidade da plataforma de recrutamento Gupy indicou que a busca de empresas recrutadoras por profissionais com conhecimento em IA cresceu 306% em 2025. No currículo, o conhecimento deixa de ser diferencial e passa a ser listado como requisito em anúncios de vagas. A percepção dos próprios jovens acompanha esse movimento. Levantamento nacional da Nexus mostra que 80% acreditam que o conhecimento em inteligência artificial é determinante para conseguir emprego.


Impactos imediatos

Além das exigências, o cenário já começa a impactar os postos de trabalho existentes. Funções mais operacionais, tradicionalmente ocupadas por profissionais em início de carreira, estão entre as mais suscetíveis à automação, o que eleva o nível de exigência. Empresas passam a priorizar candidatos com maior familiaridade com tecnologia e capacidade de adaptação a novos processos.

Atividades como atendimento inicial ao cliente, entrada e organização de dados, suporte administrativo básico e até triagem de currículos já vêm sendo parcialmente substituídas por soluções de inteligência artificial e automação. Em call centers, por exemplo, chatbots assumem demandas simples; em áreas administrativas, sistemas automatizados reduzem a necessidade de tarefas repetitivas.

Por outro lado, esse movimento também impulsiona o surgimento de novas funções. Cresce a demanda por profissionais capazes de operar, treinar e supervisionar sistemas de IA, além de especialistas em análise de dados, automação de processos e experiência do usuário. Também ganham espaço perfis híbridos, que combinam conhecimento técnico com habilidades humanas — como pensamento crítico, comunicação e capacidade de resolver problemas complexos.

Saídas possíveis 

No Brasil, ainda existem desigualdades no acesso à tecnologia, o que pode dificultar a preparação para esse novo cenário. A falta de acesso à internet de qualidade e a dispositivos adequados limita o desenvolvimento de competências essenciais e amplia o risco de exclusão profissional.

Para Carla Andréia Torres Galvão, coordenadora do Núcleo de Capacitação e Cidadania do Centro de Integração Empresa-Escola do Paraná, o cenário atual evidencia a importância da capacitação contínua como fator determinante para a inserção e permanência no mundo do trabalho, especialmente entre estagiários e aprendizes.

“Quem ingressa no mercado hoje — assim como aqueles que já estão inseridos — precisa compreender como utilizar a inovação a seu favor”, orienta. Segundo ela, esse cenário reforça a necessidade de investir na formação desde cedo, garantindo o desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais alinhadas às novas demandas do mercado.Nesse contexto, iniciativas de capacitação ganham protagonismo ao ampliar o acesso de jovens a ferramentas digitais e ao desenvolvimento de habilidades básicas e intermediárias. O CIEE/PR oferta formações presenciais e à distância voltadas à inclusão digital e à preparação para o mercado de trabalho.

Entre os destaques estão cursos como Mundo Digital: Informática para Todos, que aborda o uso prático da internet, aplicativos e editores de texto, e Inclusão Digital: Informática Básica, voltado a quem está dando os primeiros passos no uso de computadores, com conteúdo sobre sistemas operacionais, pacote Office e navegação segura.

Há ainda formações mais direcionadas ao cotidiano conectado, como o De Olho no Digital, que orienta sobre o uso de smartphones, acesso a serviços online e cuidados com segurança digital. Já no ambiente virtual, os alunos também podem acessar conteúdos como Inovação, além de cursos introdutórios de ferramentas como Word, Excel e PowerPoint, que seguem entre as competências mais exigidas no mercado.

A proposta, segundo a instituição, é reduzir barreiras de acesso ao conhecimento e garantir que mais pessoas tenham condições de acompanhar as transformações tecnológicas, não apenas como usuários, mas como profissionais mais preparados para um cenário cada vez mais digital.

Sobre o CIEE/PR

Há 58 anos, o Centro de Integração Empresa-Escola do Paraná (CIEE/PR) atua para promover a integração da comunidade ao mercado de trabalho como agente transformador. Por meio de programas de estágios e aprendizagem e cursos de capacitação, a instituição contribui para o desenvolvimento econômico e social do Estado. Junto com diversas entidades e empresas privadas, o CIEE/PR está presente nos 399 municípios do Paraná de forma física e online, e conta com 37 unidades físicas em cidades do Estado. Já recebeu cerca de 30 títulos de Utilidade Pública Municipal, possui dezenas de registros nos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente e também nos Conselhos Municipais de Assistência Social, condição essencial para cumprir o propósito de trabalhar para fortalecer o desenvolvimento humano e social. Ao longo de cinco décadas de atuação, o CIEE/PR contribuiu para a inserção e aperfeiçoamento técnico e profissional de mais de 1,8 milhão de beneficiados.

TV Diário

Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *