Ratinho Junior precisa explicar: quem pode ser beneficiado pelo pregão de R$ 693 milhões da Educação?
Edital retificado da SEED marca nova disputa para 22 de junho, reduz valor para R$ 693,3 milhões, mas mantém dúvidas sobre concorrência, fiscalização e possível concentração de mercado
O Governo Ratinho Junior tenta retomar o pregão milionário da Educação quase no apagar das luzes do mandato. Depois de denúncias, impugnações e forte desconfiança no setor, a Secretaria de Estado da Educação voltou a movimentar o processo e marcou nova disputa para 22 de junho de 2026, às 10h.
O edital retificado do Pregão Eletrônico nº 90017/2026 reduziu o valor máximo para R$ 693.339.817,08. Mesmo assim, o contrato continua enorme e atinge diretamente a rotina das escolas estaduais.
Na prática, a SEED quer contratar empresas para fornecer mão de obra terceirizada com dedicação exclusiva. Portanto, o pregão pode envolver serviços essenciais dentro das escolas, como limpeza, apoio operacional, manutenção e outras funções do dia a dia escolar.
Edital mudou, mas as suspeitas continuam
A primeira versão do pregão virou alvo de críticas pesadas. Empresas e entidades apontaram risco de restrição à concorrência, possível exclusão de empresas paranaenses e dúvidas sobre custos trabalhistas.
Agora, o governo apresenta uma versão retificada. Porém, a pergunta continua: a SEED corrigiu os problemas ou apenas reorganizou o edital para tentar fazer a licitação andar?
Além disso, o edital mantém uma regra que preocupa o mercado. Ele não permite a participação de empresas em consórcio. Em um contrato milionário, essa proibição pode dificultar a entrada de empresas menores e médias. Com isso, a disputa pode ficar concentrada em grupos maiores, com mais dinheiro e estrutura.
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Quem o governo quer beneficiar?
A pergunta que fica é direta: quem ganha com esse modelo?
Depois de denúncias, impugnações e suspeitas de restrição à concorrência, o Governo Ratinho Junior precisa explicar por que insiste em tocar um pregão dessa dimensão no fim do mandato.
Afinal, quando um edital reduz a competição, impede consórcios e exige grande força financeira, a dúvida se impõe: o processo busca o melhor serviço para as escolas ou abre caminho para beneficiar, ainda que de forma indireta, grupos já preparados para dominar a disputa?
Essa pergunta não acusa uma empresa específica. No entanto, cobra transparência. E transparência, neste caso, não é favor. É obrigação.
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Educação não pode virar balcão de contrato gigante
A Educação pública do Paraná não pode virar um grande balcão de terceirização. Escolas precisam de serviço funcionando, trabalhadores respeitados e fiscalização firme.
Além disso, a população precisa saber se o Estado terá estrutura para acompanhar contratos desse tamanho. Não basta contratar. O governo precisa fiscalizar salário, jornada, presença, qualidade do serviço e cumprimento dos direitos trabalhistas.
Caso contrário, o barato pode sair caro. A conta pode cair no colo dos trabalhadores, dos diretores, dos alunos e, no fim, do contribuinte.
Governo precisa explicar ponto por ponto
O Governo Ratinho Junior tem o dever de explicar o que mudou no edital, por que mudou e quais pontos permaneceram iguais. Também precisa mostrar por que manteve regras consideradas sensíveis pelo setor.
Depois de tanta contestação, remarcar a sessão não basta. O governo deve abrir os documentos, responder às dúvidas e provar que a disputa será justa.
Portanto, antes de avançar com um contrato milionário na Educação, a SEED precisa convencer a sociedade de que o edital serve ao interesse público, não a grupos econômicos com mais força para vencer a disputa.
Porque, quando uma licitação desse tamanho nasce cercada de desconfiança, o silêncio do governo não acalma. Pelo contrário, aumenta ainda mais a suspeita.
Veja o Edital do Pregão abaixo
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