Boom das corridas de rua aumenta procura por exames preventivos

Boom das corridas de rua aumenta procura por exames preventivos


Boom das corridas de rua aumenta procura por exames preventivos

Número de provas cresceu 85% no Brasil; exames laboratoriais ajudam a identificar alterações cardiovasculares, nutricionais e musculares antes dos treinos

A corrida de rua vive um verdadeiro boom no Brasil. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (ABRACEO), o número de provas oficiais realizadas no país cresceu 85% em 2025, saltando de 2.827 para 5.241 eventos. O Paraná aparece entre os estados com maior expansão da modalidade.

O avanço do esporte também vem acompanhado de um aumento na procura por exames laboratoriais preventivos, especialmente entre corredores iniciantes e praticantes amadores que passaram a incluir a corrida na rotina sem acompanhamento adequado de saúde.

Segundo o responsável técnico do LANAC, Marcos Kozlowski, os exames de sangue ajudam não apenas na avaliação do desempenho físico, mas principalmente na prevenção de problemas que podem comprometer a saúde durante os treinos e provas.

“Muita gente começa a correr buscando qualidade de vida, emagrecimento ou bem-estar, o que é extremamente positivo. Mas o organismo sofre um impacto importante durante a prática esportiva, principalmente em pessoas sedentárias ou que aumentam rapidamente a intensidade dos treinos. Os exames laboratoriais ajudam a identificar alterações que muitas vezes ainda não apresentam sintomas”, explica.

Entre os exames mais recomendados para corredores estão hemograma completo, ferritina, vitamina D, glicemia, colesterol, função renal e marcadores musculares, como creatinoquinase (CK). Segundo Kozlowski, alterações nesses indicadores podem impactar diretamente resistência física, recuperação muscular e até o risco de lesões.

“A deficiência de ferro, por exemplo, é muito comum e pode provocar queda de rendimento, fadiga excessiva e dificuldade de recuperação. Já alterações na função renal ou desequilíbrios eletrolíticos podem se agravar em treinos longos, especialmente em dias de calor”, afirma.

O especialista destaca que outro ponto de atenção é o crescimento do número de corredores sem histórico esportivo prévio. Dados recentes apontam que o Brasil já soma cerca de 15 milhões de praticantes da modalidade, impulsionados principalmente pelo aumento das chamadas “run crews”, grupos de corrida e eventos de rua.

“Existe uma percepção de que correr é simples e acessível, e realmente é uma atividade democrática. Mas isso não elimina a necessidade de monitoramento de saúde. Muitas alterações metabólicas, inflamatórias ou nutricionais só aparecem nos exames laboratoriais”, ressalta Kozlowski.

Além da prevenção, os exames também passaram a ser usados como ferramenta para melhorar performance e recuperação física. Corredores mais frequentes têm buscado avaliações periódicas para acompanhar níveis de vitaminas, processos inflamatórios e desgaste muscular provocado pelos treinos.

“O laboratório deixou de atuar apenas no diagnóstico de doenças e passou a ter um papel importante na medicina preventiva e esportiva. Hoje, os exames ajudam tanto na segurança quanto na evolução do atleta, mesmo entre praticantes amadores”, completa Kozlowski. O especialista reforça ainda que, antes de iniciar qualquer atividade física, especialmente exercícios de maior intensidade, é fundamental procurar um médico de confiança para avaliação clínica e solicitação dos exames mais adequados para cada perfil.

TV Diário
Mirella Pasqual

Mirella Pasqual

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