Ratinho Junior na parede: IRG recebeu R$ 2,4 milhões do Estado e colocou Sandro Alex em destaque
Coincidência ou mais um capítulo do Método Paraná de Ratinho Junior?
A pesquisa da IRG, divulgada nesta segunda-feira, chamou atenção porque Sandro Alex, candidato do governador Ratinho Junior, apareceu turbinado no levantamento em comparação com outras pesquisas recentes. Por esse motivo, o resultado passou a gerar questionamentos políticos e debates sobre os critérios adotados pelo instituto.
Além disso, há outro ponto que aumenta a polêmica: a IRG Pesquisas Ltda. também tem contratos com o Ipardes, órgão do Governo do Paraná.
Contratos passam de R$ 2,4 milhões
De acordo com os dados públicos, a IRG aparece em três contratos com o Ipardes.
Um deles tem valor de R$ 583.800,00 e trata de pesquisa sobre saúde e segurança pública. Outro contrato soma R$ 500.400,00 para prestação de serviços de pesquisas. Já o terceiro chega a R$ 1.330.993,50 e envolve pesquisa sobre riscos de desastres naturais nos municípios do Paraná.
Juntos, os contratos chegam a R$ 2.415.193,50.
Diante disso, a pergunta é direta: por que uma empresa que recebe dinheiro público do Governo do Paraná também divulgou uma pesquisa eleitoral que colocou o candidato do governador em posição de destaque?
Até agora, não há prova pública de irregularidade. Mesmo assim, o caso exige explicações claras, documentos abertos e transparência total.

Deputados cobram respostas do governo
Na Assembleia Legislativa, deputados apresentaram um pedido oficial de informações ao Governo do Paraná. O requerimento cobra explicações da Secretaria de Estado do Planejamento e do Ipardes sobre a contratação da IRG.
Os parlamentares querem saber qual foi a justificativa técnica para contratar a empresa. Também perguntam se o próprio Ipardes não teria equipe capaz de fazer esse tipo de trabalho.
Além disso, o pedido cobra a cópia completa do processo administrativo. Isso inclui estudos técnicos, termo de referência, pareceres jurídicos e documentos de habilitação da empresa.
Outro ponto importante envolve o valor de R$ 583.800,00. Os deputados querem saber como esse preço foi formado. Por isso, pedem detalhes sobre custos com pessoal, logística, entrevistas, tabulação dos dados e elaboração dos relatórios.
Metodologia também entrou na cobrança
Os deputados também cobram explicações sobre a metodologia da pesquisa contratada pelo Ipardes. Eles querem saber qual será o tamanho da amostra, quantas entrevistas serão feitas e quais critérios serão usados para medir a satisfação dos usuários dos serviços públicos.
Além disso, o requerimento pergunta se os resultados serão divulgados integralmente à população. Caso isso aconteça, o governo precisa informar quando fará essa publicação.
A cobrança não para aí. O pedido também questiona se houve avaliação de economia em comparação com a possibilidade de o próprio Ipardes realizar a pesquisa.
Quem assinou o requerimento
O pedido de informações tem assinatura dos deputados Delegado Tito Barichello, Delegado Jacovós, Flávia Francischini, Denian Couto, Gilberto Ribeiro, Gilson de Souza, Jairo Tamura, Matheus Vermelho, Mauro Moraes, Paulo Gomes, Ricardo Arruda, Samuel Dantas, Fabio Oliveira e Luiz Fernando Guerra.
Com isso, o caso deixou de ser apenas uma crítica política. Agora, virou uma cobrança formal dentro da Assembleia Legislativa do Paraná.
O ponto mais sensível
Uma das perguntas mais importantes do requerimento é se a pesquisa contratada pelo Ipardes terá finalidade apenas técnica e estatística ou se poderá ajudar campanhas de comunicação do governo.
Essa resposta é fundamental.
Afinal, dinheiro público deve servir à população. Não pode servir a projeto eleitoral, propaganda política ou capricho de governo.
Se a pesquisa é realmente técnica, o governo precisa mostrar os documentos. Portanto, deve abrir contrato, relatórios, pagamentos, metodologia, resultados e critérios usados na contratação.
Ratinho Junior precisa explicar
O governador Ratinho Junior deve explicações ao Paraná.
Enquanto servidores cobram reajuste, fornecedores reclamam de pagamentos e a população enfrenta problemas nos serviços públicos, o governo precisa explicar por que uma empresa de pesquisas recebeu mais de R$ 2,4 milhões do Ipardes.

O problema não é fazer pesquisa. O problema é a falta de transparência em um momento político delicado.
Quando uma empresa contratada pelo governo divulga uma pesquisa eleitoral que melhora a posição do candidato ligado ao próprio governo, a dúvida aparece naturalmente. Por isso, o caso precisa ser acompanhado pelo Ministério Público, pela Justiça Eleitoral e pela Assembleia Legislativa.
O dinheiro público não pode servir a interesse político. O Paraná merece respeito, verdade e transparência.
O resultado da pesquisa provocou reações nos meios políticos. Nos corredores do Palácio Iguaçu, a ironia que passou a circular é que IRG significaria “Instituto Ratinho Group”, numa referência ao desempenho de Sandro Alex, candidato do governador Ratinho Junior, no levantamento.
A brincadeira ganhou tom ainda mais ácido entre interlocutores, que passaram a dizer que seria “mais uma empresa comandada pela família Massa”. No entanto, neste caso, trata-se apenas de provocação política. A IRG não pertence à família Massa e, ao que consta, também não é de Marumbi.
A menção a Marumbi aparece como alusão irônica a outro episódio envolvendo questionamentos sobre uma empresa que, segundo críticos, teria sido criada por Ratinho no município para receber mais de R$ 20 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Portanto, no caso da IRG, a comparação permanece no campo da sátira e da piada de bastidor. Ainda assim, a ironia segue rendendo nos meios políticos.
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