Se o Brasil seguisse Trump, empresas que foram produzir no Paraguai deveriam ser taxadas para vender aos brasileiros
Sem o consumidor brasileiro, quantas empresas brasileiras sobreviveriam no Paraguai?
Nos últimos anos, cresceu o número de empresas brasileiras que anunciaram investimentos no Paraguai. Em geral, os empresários apontam como principais motivos a menor carga tributária, a redução da burocracia, o custo mais baixo da mão de obra e a energia mais barata.
À primeira vista, a impressão é de que o Paraguai estaria substituindo o Brasil como destino dos investimentos. No entanto, quando os números são analisados, a realidade é diferente.
Na prática, muitas empresas não estão deixando o mercado brasileiro. Pelo contrário. Elas mudam parte da produção para o país vizinho e, ao mesmo tempo, continuam vendendo seus produtos para consumidores brasileiros.
Assim, o endereço da fábrica pode mudar. Entretanto, o principal mercado permanece sendo o Brasil.
Os números mostram quem realmente movimenta a economia
A diferença entre as duas economias é significativa.
Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro alcançou cerca de R$ 12,7 trilhões, colocando o país entre as maiores economias do mundo.
Enquanto isso, a economia paraguaia foi estimada em aproximadamente US$ 48 bilhões.
Portanto, mesmo com crescimento econômico, o Paraguai continua muito distante do tamanho do mercado brasileiro.
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Além disso, quando a comparação é feita apenas entre o Paraguai e alguns estados brasileiros, a diferença continua chamando atenção.
Vários estados brasileiros possuem economias maiores
Os dados oficiais mais recentes do IBGE mostram que:
- São Paulo: R$ 3,44 trilhões
- Rio de Janeiro: R$ 1,17 trilhão
- Minas Gerais: R$ 971,9 bilhões
- Paraná: R$ 670,9 bilhões
- Rio Grande do Sul: R$ 650 bilhões
- Santa Catarina: R$ 513 bilhões
- Bahia: R$ 431 bilhões
Ou seja, diversos estados brasileiros possuem economias comparáveis ou superiores à economia de todo o Paraguai.
Por isso, afirmar que o Paraguai substituiu o Brasil como mercado consumidor não encontra respaldo nos números.
Então por que tantas empresas estão indo para o Paraguai?
A resposta passa principalmente pelo custo de produção.
O Paraguai oferece incentivos fiscais, menor tributação, regras mais simples para determinadas atividades industriais e um regime conhecido como maquila.
Dessa forma, produzir no país vizinho pode ser financeiramente mais vantajoso para algumas empresas.
Além disso, a localização geográfica facilita a exportação para o próprio Brasil e para outros países do Mercosul.
Consequentemente, muitos empresários enxergam uma oportunidade de aumentar a competitividade.
O consumidor continua sendo brasileiro
Apesar disso, existe uma questão que não pode ser ignorada.
Nenhuma empresa decide investir milhões apenas para atender um mercado de pouco mais de seis milhões de habitantes quando existe, logo ao lado, um país com mais de 210 milhões de consumidores.
Por essa razão, grande parte dessas empresas continua dependendo diretamente do mercado brasileiro.
Em outras palavras, elas podem fabricar no Paraguai. Porém, continuam faturando principalmente no Brasil.
Estratégia empresarial ou fuga dos impostos?
É importante fazer uma distinção.
Abrir uma fábrica no Paraguai não significa, por si só, cometer qualquer irregularidade.
Se toda a operação respeita a legislação dos dois países, trata-se de uma estratégia empresarial legal.
Entretanto, também é legítimo discutir os impactos dessa escolha.
Afinal, quando uma empresa transfere parte da produção para outro país, empregos deixam de ser criados no Brasil. Além disso, parte da arrecadação tributária também deixa de permanecer em território brasileiro.
Por isso, cresce o debate sobre a competitividade da indústria nacional e sobre o chamado “custo Brasil”.
A pergunta que precisa ser respondida
Diante desse cenário, uma pergunta continua sem resposta definitiva.
As empresas estão deixando o Brasil porque encontraram um mercado melhor?
Ou estão apenas buscando reduzir custos e pagar menos impostos, enquanto continuam dependendo do consumidor brasileiro?
Os dados econômicos indicam que a segunda hipótese parece explicar melhor a realidade.
A conclusão que os números mostram
Os números não deixam dúvidas.
O Paraguai tornou-se uma alternativa importante para instalação de indústrias.
No entanto, isso não significa que o mercado brasileiro perdeu importância.
Muito pelo contrário.
O Brasil continua sendo uma das maiores economias do mundo e segue concentrando o maior potencial de consumo da América do Sul.
Assim, muitas empresas mudam a fábrica de endereço. Contudo, não conseguem mudar o destino de suas vendas.
No fim das contas, a produção pode sair do Paraguai.
Entretanto, o lucro continua chegando, em grande parte, graças ao consumidor brasileiro.
E é justamente essa realidade que coloca em xeque a narrativa de que as empresas estão “abandonando o Brasil”. Na prática, em muitos casos, elas apenas descobriram que produzir mais barato aumenta a margem de lucro, sem abrir mão do maior mercado da região.
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