Bolsonaro ou Lula: em qual governo o salário mínimo compra mais picanha?

Bolsonaro ou Lula: em qual governo o salário mínimo compra mais picanha?


O senador Flávio Bolsonaro tentou transformar uma ida ao supermercado em munição política contra o governo Lula. No vídeo, ele usou R$ 100 para comprar itens de churrasco, devolveu produtos e criticou a inflação.

A cena chama atenção. No entanto, ela não responde à pergunta principal: quanto de picanha o trabalhador consegue comprar com um salário mínimo?

A conta que Flávio Bolsonaro não fez

No fim do governo Jair Bolsonaro, em 2022, o salário mínimo era de R$ 1.212. Naquele período, a picanha chegou a R$ 71,20 o quilo.

Com esse valor, um salário mínimo comprava cerca de 17 quilos de picanha.



Hoje, no governo Lula, o salário mínimo está em R$ 1.621. Considerando a picanha a R$ 60,70 o quilo, o trabalhador compra cerca de 26,7 quilos de picanha.

O trabalhador compra mais hoje

A diferença é clara. Atualmente, um salário mínimo compra aproximadamente 9,7 quilos a mais de picanha do que no fim do governo Bolsonaro.

Isso representa uma melhora de cerca de 57% no poder de compra em relação ao corte usado como símbolo político.

Portanto, o vídeo de Flávio Bolsonaro usa um recorte conveniente. Com R$ 100, realmente não se faz um churrasco farto. Porém, essa comparação isolada não mostra a evolução real do poder de compra.

O problema está no recorte

Flávio Bolsonaro escolheu uma cena de impacto. Foi ao mercado, pegou produtos, devolveu itens e transformou o caixa em palanque.

Entretanto, a comparação mais justa precisa considerar salário mínimo, preço do alimento e quantidade comprada. Nesse cálculo, o discurso do senador perde força.

No governo de seu pai, um salário mínimo comprava cerca de 17 kg de picanha. Hoje, compra cerca de 26,7 kg.

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Menos vídeo, mais matemática

É evidente que o custo de vida ainda pesa no bolso do brasileiro. O supermercado continua caro. A alimentação ainda compromete boa parte da renda das famílias.

Mesmo assim, não dá para transformar um vídeo de R$ 100 em prova de perda geral de poder de compra.

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Quando a conta sai da encenação e entra na matemática, o resultado é outro: o trabalhador compra mais picanha hoje do que comprava no fim do governo Bolsonaro.

Por isso, o vídeo de Flávio Bolsonaro pode até funcionar como peça política. Mas, diante dos números, ele fica muito mais perto da desinformação do que de uma comparação honesta.

Conclusão

A pergunta “cadê a picanha?” tem resposta.

Ela está mais acessível ao trabalhador que recebe salário mínimo, quando se compara o fim do governo Bolsonaro com o governo Lula.

Flávio Bolsonaro tentou mostrar o contrário. Porém, a própria conta mostra que o poder de compra da picanha aumentou.

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Redação O Diário de Maringá

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