Paraná aparece entre os estados com mais empresas endividadas do país

Paraná aparece entre os estados com mais empresas endividadas do país


O Paraná encerrou maio de 2026 com o maior número de empresas inadimplentes da região Sul do Brasil. Segundo dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, o estado contabilizou 593.565 CNPJs negativados no período.

Ao mesmo tempo, a região Sul registrou 1.544.929 empresas inadimplentes. Além disso, o levantamento identificou 14.318.992 dívidas em aberto, que, juntas, somaram aproximadamente R$ 51 bilhões.

Paraná supera os estados vizinhos no número de empresas negativadas

Entre os estados do Sul, o Paraná liderou o ranking regional de inadimplência empresarial. Na sequência, apareceram o Rio Grande do Sul, com 522.521 empresas negativadas, e Santa Catarina, com 428.843 registros.

Por outro lado, quando o assunto é valor médio devido por empresa, o Rio Grande do Sul assumiu a liderança regional. No estado gaúcho, cada empresa inadimplente acumulou, em média, R$ 35.789,44 em dívidas.



Já Santa Catarina apresentou o maior ticket médio entre os estados do Sul. Nesse caso, cada débito negativado alcançou, em média, R$ 3.740,28.

Brasil mantém recorde histórico de empresas inadimplentes

Enquanto a região Sul apresentou números elevados, o cenário nacional também continuou preocupante. Em maio de 2026, o Brasil ultrapassou novamente a marca de 9 milhões de empresas negativadas.

Além disso, o volume financeiro das dívidas atingiu R$ 229,9 bilhões em todo o país. Em média, cada empresa inadimplente acumulou sete contas em atraso.

Da mesma forma, a dívida média nacional chegou a R$ 25.494,08 por empresa. Já o ticket médio das pendências financeiras alcançou R$ 3.515,52.

Juros elevados e crédito restrito dificultam recuperação das empresas

Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o cenário atual revela uma mudança importante no perfil da inadimplência empresarial brasileira.

De acordo com a especialista, o desafio das empresas já não está apenas em evitar a negativação. Agora, muitas organizações enfrentam dificuldades para reduzir o passivo acumulado ao longo dos últimos anos.

Além disso, a economista destaca que o ambiente econômico permanece desafiador. Isso ocorre porque os juros continuam elevados e, ao mesmo tempo, o crédito segue mais restrito.

Consequentemente, inúmeras empresas encontram dificuldades para recompor caixa, administrar o capital de giro e recuperar a capacidade financeira.

Setor de serviços concentra mais da metade das empresas inadimplentes

Quando o levantamento é analisado por segmento econômico, o setor de serviços aparece com ampla vantagem na liderança da inadimplência empresarial.

Segundo os dados da Serasa Experian, 55,6% das empresas negativadas pertencem ao setor de serviços.

Na sequência, aparecem:

  • Comércio: 32,3%;
  • Indústria: 8,1%;
  • Setor primário: 0,9%.

Além disso, especialistas observam que o setor de serviços costuma ser mais sensível às oscilações econômicas e à redução do consumo.

Por essa razão, muitas empresas do segmento encontram dificuldades para manter fluxo de caixa saudável durante períodos de desaceleração econômica.

Origem das dívidas vai além do sistema financeiro

Quando a análise considera a origem das pendências financeiras, o setor de serviços novamente aparece na liderança, sendo responsável por 31,5% das dívidas registradas.

Logo depois aparecem os bancos e cartões, com participação de 19,5%.

Além disso, o levantamento aponta:

  • Cooperativas: 8,6%;
  • Utilities: 6,9%;
  • Telefonia: 5,7%.

Segundo a economista da Serasa Experian, esse cenário demonstra que a inadimplência empresarial não está concentrada apenas nos financiamentos bancários.

Pelo contrário, muitas empresas enfrentam dificuldades para manter pagamentos básicos relacionados à própria operação do negócio.

Dessa forma, despesas essenciais acabam sendo postergadas, o que contribui para o crescimento do estoque de dívidas.

Sudeste concentra maior número de empresas negativadas

Regionalmente, o Sudeste continua liderando a inadimplência empresarial brasileira.

Nesse contexto, São Paulo aparece na primeira posição nacional, com 3.094.295 empresas negativadas.

Na sequência, surgem Minas Gerais, com 887.261 registros, e Rio de Janeiro, com 869.138 empresas inadimplentes.

Logo depois aparecem Paraná e Rio Grande do Sul, confirmando o peso econômico dessas regiões no cenário empresarial brasileiro.

Micro e pequenas empresas seguem como as mais afetadas

Além das grandes empresas, os pequenos negócios continuam sendo os mais impactados pela inadimplência.

Segundo a Serasa Experian, 8,5 milhões de micro e pequenas empresas estavam negativadas em maio de 2026.

Ao todo, esse grupo acumulou 59 milhões de dívidas, que somaram R$ 198,8 bilhões.

Em média, cada empresa desse segmento possuía 6,9 contas em atraso.

Além disso, a dívida média chegou a R$ 23.177,51 por empresa, enquanto o ticket médio alcançou R$ 3.369,41.

Segundo Camila Abdelmalack, o problema está justamente no acúmulo simultâneo de várias pendências financeiras.

Embora os valores individuais nem sempre sejam elevados, a soma dessas obrigações cria forte pressão sobre o caixa dos pequenos negócios.

Consequentemente, o processo de regularização financeira ocorre de forma mais lenta e mais difícil para esse grupo empresarial.

Cenário exige reorganização financeira e planejamento

Diante desse cenário, especialistas apontam que a prioridade das empresas deixou de ser apenas evitar a negativação.

Agora, além de controlar novas dívidas, empresários precisam reorganizar passivos antigos e recuperar capacidade de investimento.

Enquanto os juros permanecerem elevados e o crédito continuar restrito, o processo de recuperação financeira deverá seguir lento.

Por fim, os dados de maio reforçam que a inadimplência empresarial continua sendo um dos principais desafios da economia brasileira em 2026.

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Redação O Diário de Maringá

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