Prefeito não faz milagre: limpeza urbana exige participação de toda a sociedade

Prefeito não faz milagre: limpeza urbana exige participação de toda a sociedade


Gestores devem falar a verdade, cumprir a lei e oferecer estrutura adequada. No entanto, nenhuma administração conseguirá manter ruas e espaços públicos limpos enquanto parte da população continuar tratando a cidade como depósito de lixo.

É fácil responsabilizar apenas o prefeito quando uma cidade aparece suja, com lixo nas calçadas, terrenos abandonados, entulho nas ruas e espaços públicos malcuidados. O poder público, sem dúvida, tem obrigação de recolher resíduos, fiscalizar irregularidades, aplicar multas e manter equipes de limpeza.

No entanto, há uma verdade que muitos gestores evitam dizer aos eleitores: nenhuma prefeitura consegue vencer uma população que passa o dia inteiro sujando aquilo que o município acabou de limpar.

Não existe equipe suficiente para recolher, a todo momento, papéis, copos, garrafas, móveis, restos de construção e sacolas descartadas de forma irregular. Quando o cidadão joga lixo pela janela do carro, abandona entulho na calçada ou transforma um terreno vazio em depósito, ele também se torna responsável pela sujeira da cidade.



Gestores precisam parar de esconder o problema

Muitos administradores preferem prometer mais caminhões, mais equipes e mais varrição. Fazem isso porque é mais confortável apresentar uma solução simples do que enfrentar o problema de frente.

Porém, governar também significa falar a verdade.

O gestor precisa dizer claramente que limpeza urbana exige responsabilidade compartilhada. Além disso, deve explicar que o dinheiro utilizado para recolher lixo descartado irregularmente poderia financiar medicamentos, creches, pavimentação, iluminação, segurança e outras políticas públicas.

Quando a prefeitura limpa o mesmo ponto várias vezes, porque moradores e empresas continuam despejando resíduos no local, toda a população paga essa conta.

A lei precisa valer para todos

Campanhas educativas são importantes, mas não bastam. O município também precisa fiscalizar e aplicar a lei.

Quem joga lixo em local proibido, descarta entulho irregularmente ou mantém imóvel em situação de abandono deve receber notificação e, quando necessário, multa. Caso contrário, o cidadão que cumpre as regras acaba penalizado enquanto o infrator segue agindo sem qualquer consequência.

A fiscalização, porém, não pode escolher endereço, bairro ou condição social. A lei precisa alcançar tanto o morador que joga uma sacola na rua quanto a empresa que descarta resíduos de forma irregular.

Sem fiscalização contínua, a campanha de conscientização vira apenas propaganda.

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Empresários também precisam assumir responsabilidade

As entidades empresariais não podem cobrar apenas eficiência do poder público. Elas também precisam orientar seus associados e participar das soluções.

Empresas geram embalagens, resíduos, materiais de divulgação e grande circulação de pessoas. Portanto, devem manter seus espaços limpos, oferecer locais adequados para descarte e orientar funcionários e clientes.

Associações comerciais, sindicatos patronais e organizações do setor produtivo podem promover campanhas permanentes, apoiar projetos ambientais e cobrar comportamento responsável das empresas.

Não basta defender uma cidade bonita para atrair consumidores e investimentos. É preciso ajudar a construí-la.

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Igrejas e associações de bairros têm papel decisivo

Igrejas, associações de moradores, escolas, clubes de serviço e organizações comunitárias possuem contato direto com milhares de pessoas. Por isso, podem exercer um papel muito maior na formação de uma cultura de cuidado com a cidade.

Essas instituições não precisam substituir a prefeitura. Contudo, podem ajudar na conscientização, organizar ações educativas e incentivar moradores a fiscalizar o próprio bairro.

A mudança de comportamento começa perto de casa. Um bairro limpo depende de coleta eficiente, mas também de moradores que respeitem horários, acondicionem corretamente os resíduos e denunciem descartes clandestinos.

Não existe cidade limpa com sociedade omissa

A limpeza urbana não pode aparecer apenas em discursos durante campanhas eleitorais. Também não pode servir como instrumento para prefeitos culparem a população e esconderem falhas de gestão.

O poder público precisa fazer a parte dele. Isso inclui coleta regular, equipes suficientes, fiscalização, lixeiras, ecopontos, educação ambiental e transparência nos gastos.

Ao mesmo tempo, a sociedade precisa abandonar a ideia de que pode sujar livremente porque alguém será pago para limpar depois.

A cidade pertence a todos. Portanto, a responsabilidade também pertence a todos.

Precisamos de gestores que falem a verdade, cumpram a lei e não transformem problemas complexos em promessas eleitorais vazias. Mas também precisamos de empresários, igrejas, associações, moradores e lideranças dispostos a assumir sua parcela de responsabilidade.

Uma cidade limpa não nasce apenas da ação de um prefeito. Ela nasce quando governo e sociedade deixam de empurrar a culpa um para o outro e começam, de fato, a cumprir o papel que lhes cabe.

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Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Perfil Profissional: Gilmar Ferreira (MTB 0011341/PR) Gilmar Ferreira consolida uma carreira multifacetada como jornalista, apresentador de programas de TV e mestre de cerimônias, unindo o rigor da investigação à fluidez da comunicação ao vivo. Com atuação destacada no Paraná e Santa Catarina, ele imprime autoridade técnica e sensibilidade humana em cada projeto que lidera. Atuação Estratégica Atual Diretor de Redação: O Diário de Maringá. Comentarista: Programa Paraná Cidadesno Canal 10.1 e RDR FM 93,3. Mestre de Cerimônias: Atuação oficial em eventos de destaque no Estado do Paraná. Experiência em Televisão Reconhecido pela presença de vídeo e condução de pautas complexas, Gilmar atuou como apresentador de programas e âncora nas seguintes emissoras: TV Maringá (Band) RIC TV Maringá (Record) Record News (Rede Mercosul) RTV 10 Maringá Trajetória no Rádio Com passagens por emissoras líderes de audiência, sua voz é referência em informação e entretenimento: Paraná: Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Santa Catarina: Rádio Menina FM e Rádio Globo AM (Blumenau)

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