Gestor ou juiz? Sandro Alex talvez esteja ignorando que o Paraná precisa dos dois
Durante a convenção que oficializou sua candidatura ao Governo do Paraná, Sandro Alex afirmou que o Estado “não precisa de um juiz, precisa de um gestor”. A frase produz efeito político imediato. Também abre espaço para uma pergunta inevitável: qual gestão está sendo apresentada como credencial?
É verdade que um governador precisa administrar um Estado. Planejamento, execução de obras, capacidade de entregar resultados e gestão de recursos públicos fazem parte da função. Nisso, a afirmação de Sandro Alex está correta.
O problema começa quando a própria gestão usada como vitrine passa a ser alvo de questionamentos.
Enquanto esteve à frente da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística, diversas obras enfrentaram atrasos, mudanças de cronograma e problemas de execução. Há contratos que geraram apontamentos de órgãos de controle, incluindo suspeitas de sobrepreço em obras públicas que ainda precisam ser definitivamente analisadas pelas autoridades competentes. Também vieram a público denúncias envolvendo empresas terceirizadas cujos fornecedores alegam não ter recebido cerca de R$ 30 milhões por serviços prestados. São fatos conhecidos e que ainda aguardam os desdobramentos legais.
Outro exemplo foi o alargamento de praias no litoral paranaense. A obra foi apresentada como um marco para o turismo, mas passou a enfrentar críticas técnicas e ambientais após sua execução. Em vez de representar unanimidade, tornou-se mais um tema de debate.
Diante desse cenário, a frase de Sandro Alex permite uma reflexão diferente.
Talvez o Paraná realmente precise de um gestor. Mas precisa de um gestor que entregue obras concluídas dentro do prazo, contratos sem controvérsias relevantes, fiscalização eficiente e execução capaz de evitar disputas que acabam chegando aos órgãos de controle.
Ao mesmo tempo, talvez também precise de um Judiciário célere.
Porque quando surgem suspeitas sobre contratos públicos, questionamentos sobre execução de obras ou eventuais prejuízos ao dinheiro do contribuinte, a sociedade espera respostas rápidas. Não para condenar previamente ninguém, mas para que os fatos sejam esclarecidos e, caso existam irregularidades, as responsabilidades sejam atribuídas conforme determina a legislação. Se não houver irregularidades, que isso também fique definitivamente estabelecido.
O debate, portanto, não deveria ser “gestor ou juiz”.
Uma democracia madura precisa dos dois. Precisa de gestores eficientes para administrar o dinheiro público e de instituições independentes para fiscalizar como esse dinheiro foi aplicado.
No fim, a principal credencial de quem pretende governar o Paraná continuará sendo a mesma: o resultado concreto da própria gestão. E esse resultado não é medido apenas por discursos de campanha ou obras inauguradas. Também é medido pela qualidade da execução, pela transparência dos contratos e pela forma como cada questionamento é esclarecido perante a sociedade.



