Menos vagas e mais tecnologia elevam a exigência para chegar

Menos vagas e mais tecnologia elevam a exigência para chegar


Chegar a uma posição gerencial tornou-se mais desafiador no Brasil. Entre 2020 e 2025, o país eliminou 322 mil vagas de gerência e diretoria, segundo levantamento da Folha de S.Paulo com dados do Novo Caged. Somente em 2025, o saldo dessas ocupações foi negativo em 112,3 mil postos, enquanto o mercado de trabalho formal brasileiro criou cerca de 1,2 milhão de empregos no mesmo período.

O contraste revela uma transformação nas estruturas organizacionais. Redução de custos, juros elevados, digitalização e modelos de trabalho mais horizontais diminuem os níveis hierárquicos e concentram responsabilidades em um número menor de gestores. Com menos posições disponíveis, a passagem para a gestão deixa de ser uma consequência previsível do tempo de carreira e se torna uma disputa por competências mais amplas.

A inteligência artificial não explica, sozinha, a redução dos cargos gerenciais, mas poderá acelerar esse movimento. Ao automatizar tarefas, integrar informações e aumentar a produtividade, a tecnologia permite que equipes menores administrem volumes maiores de trabalho. Para os gestores, isso significa responder por estruturas mais enxutas, decisões mais rápidas e problemas que combinam pessoas, tecnologia e negócio.

A adoção da tecnologia já avança nas organizações brasileiras. A pesquisa TIC Empresas 2025, realizada pelo Cetic.br, mostra que o uso de IA pelas empresas cresceu de 13% para 17% entre 2024 e 2025. Nas grandes companhias, a proporção passou de 38% para 50%.



O aumento da produtividade, entretanto, não elimina a necessidade de gestão. Ele modifica o trabalho do gerente. Cabe a esse profissional decidir o que pode ser automatizado, avaliar a qualidade das informações produzidas, reconhecer riscos, proteger dados e manter a responsabilidade pelas decisões. Ao mesmo tempo, precisa conduzir pessoas durante a mudança e traduzir os efeitos da tecnologia para os objetivos da organização.

A transição também altera a forma como o profissional é avaliado. Durante parte da carreira, o reconhecimento costuma estar relacionado à qualidade da própria entrega. Na gestão, o resultado passa a depender da capacidade de estabelecer prioridades, delegar, desenvolver pessoas, administrar conflitos, integrar áreas e criar condições para que outros profissionais entreguem resultados.

Nesse ambiente, experiência e domínio técnico permanecem importantes, mas já não são suficientes. A lista Skills on the Rise 2025, do LinkedIn, colocou o domínio de inteligência artificial, comunicação e pensamento estratégico nas três primeiras posições entre as competências de crescimento mais acelerado no Brasil.

Uma pesquisa da Robert Half reforça essa mudança. Para 75% das empresas entrevistadas, a capacidade de adaptação a novas tecnologias será determinante para a empregabilidade. Pensamento crítico e decisões estratégicas foram citados por 44%, enquanto o tratamento de dados foi mencionado por 39%.

"Experiência constrói repertório, mas gestão amplia impacto. A indicação ou o reconhecimento técnico podem abrir uma oportunidade, mas não sustentam, sozinhos, a responsabilidade de conduzir pessoas e responder pelos resultados de uma área. Em estruturas mais enxutas, o profissional precisa demonstrar clareza para decidir, capacidade de influenciar, visão de negócio e maturidade para utilizar dados e tecnologia com responsabilidade", afirma Fernando Veroneze, fundador e diretor da VBS – Veroneze Business School.

O desafio não se restringe aos profissionais que assumirão uma função gerencial pela primeira vez. Ele alcança especialistas, coordenadores, gerentes de projetos e gestores que passam a responder por equipes maiores, decisões mais complexas ou resultados mais abrangentes. Em todos esses casos, a mudança exige abandonar uma lógica baseada apenas na própria execução e desenvolver uma atuação orientada à coordenação do trabalho coletivo.

Foi a partir dessa transformação que a VBS estruturou o programa De Sênior a Gerente, com início previsto para outubro de 2026, em São Paulo. A iniciativa parte da compreensão de que o preparo para a gestão deve acontecer antes, e não somente depois, da ampliação das responsabilidades, especialmente entre profissionais experientes que já construíram repertório técnico, mas precisam ampliar sua capacidade de gestão e sua visão de negócio.

Preparar esse profissional antes da transição também tem impacto para as organizações. Promoções apoiadas exclusivamente no desempenho técnico podem retirar um especialista de uma função na qual apresenta bons resultados sem garantir que ele esteja preparado para conduzir pessoas, administrar prioridades e tomar decisões em nome de uma área. Quando essa passagem acontece por tentativa e erro, os efeitos podem alcançar o desempenho da equipe, o engajamento e a execução da estratégia.

Em um mercado com menos níveis hierárquicos, mais automação e maior concentração de responsabilidades, a preparação gerencial deixa de ser apenas uma etapa de desenvolvimento individual. Torna-se uma condição para que empresas preservem conhecimento, formem sucessores e mantenham capacidade de execução diante das mudanças provocadas pela tecnologia.

Sobre a VBS – Veroneze Business School

A VBS – Veroneze Business School é uma escola de educação executiva aplicada. Seus programas apoiam profissionais experientes no desenvolvimento de competências relacionadas à gestão, comunicação, tomada de decisão, visão de negócio e atuação em ambientes organizacionais em transformação.

Mais informações estão disponíveis em: vbs.com.br/programas/senior-a-gerente

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