Do Carmo tem palavra; Ratinho Junior supostamente não
Deputado reafirma lealdade ao grupo mesmo após o encerramento do ciclo de Willian Porfirio na Secretaria do Trabalho. Fala sobre palavra, caráter e “contexto político” permite uma leitura crítica sobre a relação do governador com seus aliados.
Por Gilmar Ferreira
O deputado estadual Do Carmo deixou um recado político importante ao falar sobre o encerramento do ciclo de Willian Porfirio na Secretaria do Trabalho do Paraná.
No vídeo, Do Carmo faz questão de reconhecer o trabalho realizado por Willian. Ele o chama de “braço direito e esquerdo” e destaca sua participação nos resultados da pasta.
Segundo o deputado, a gestão realizou capacitações, melhorou a infraestrutura das Agências do Trabalhador, inaugurou mais de dez unidades e investiu R$ 15 milhões. Também entregou 229 veículos e organizou mais de 3 mil vagas durante a Operação Verão.
Portanto, na avaliação de Do Carmo, Willian fez um ótimo trabalho e isso não tem como negar.
Do Carmo fala em palavra, caráter e lealdade
O trecho mais político vem logo depois.
Ao comentar o encerramento do ciclo do aliado, Do Carmo afirma:
“Nós temos lealdade, eu tenho palavra, tenho caráter, e claro que nós entendemos muito todo o contexto político.”
No final, reforça:
“A nossa lealdade não tem preço.”
Do Carmo também deixa claro que continuará ao lado do governador Ratinho Junior e de Sandro Alex.
Ou seja, Do Carmo mantém sua palavra.
Já a reciprocidade dentro do grupo merece uma análise diferente.
A fala não prova que Ratinho Junior tenha descumprido um compromisso específico com o deputado. No entanto, quando Do Carmo faz questão de falar em palavra, caráter, lealdade e “contexto político” justamente nesse momento, as entrelinhas políticas são evidentes.
Ratinho cobra lealdade, mas oferece a mesma coisa?
O Diário de Maringá tem recebido relatos de pressão política envolvendo agentes públicos e estruturas municipais durante o período eleitoral.
Ainda assim, existe um cenário político que merece atenção.
O grupo de Ratinho Junior trabalha para eleger Sandro Alex governador. Para isso, reuniu partidos, deputados, prefeitos e uma ampla estrutura política.
Mas apoio político não pode virar obrigação.
Muito menos pode existir pressão sobre deputados, prefeitos, servidores ou comissionados para trabalhar por determinado candidato.
Caso isso aconteça e seja comprovado, deixa de ser apenas uma discussão sobre lealdade política.
Sandro Alex ainda não decolou
Toda essa movimentação também revela um problema para o grupo governista: Sandro Alex ainda não conseguiu transformar o tamanho da estrutura política que possui em liderança eleitoral.
Levantamento do Paraná Pesquisas divulgado em 17 de agosto mostrou Sergio Moro com 46,1%, Requião Filho com 23,4% e Sandro Alex com 16,5% no cenário estimulado.
Outro levantamento, da RealTime Big Data, divulgado no dia seguinte, colocou Moro com 37%, Sandro Alex com 22% e Requião Filho com 20%.
Os números são diferentes, mas mostram uma dificuldade comum: mesmo apoiado por Ratinho Junior e por uma grande estrutura partidária, Sandro Alex ainda não lidera a disputa.
Talvez parte da explicação esteja na diferença entre aquilo que a propaganda apresenta e aquilo que o cidadão encontra em sua cidade.
A PR-317 que o diga
Sandro Alex procura construir a imagem de “tocador de obras”. Entretanto, quem mora na região de Maringá conhece a história da duplicação da PR-317 entre Maringá e Iguaraçu.
O contrato anterior acabou rescindido. Outra empresa precisou assumir os serviços restantes.
Em maio de 2026, o Tribunal de Contas do Estado do Paraná também informou que encontrou falhas relacionadas à execução do contrato anterior da rodovia e determinou providências ao DER.
Portanto, existe uma diferença importante entre anunciar uma obra e efetivamente entregá-la.
Nesse caso, a provocação é inevitável: tocador ou empacador de obras? A PR-317 que o diga.
A palavra de Do Carmo está registrada
Do Carmo terminou o vídeo reafirmando que continuará com Ratinho Junior e Sandro Alex.
“A nossa lealdade não tem preço”, declarou.
A posição do deputado está registrada.
Ele mantém o apoio mesmo diante do “contexto político” mencionado por ele próprio.
Agora, a política também permite outra avaliação: essa lealdade funciona nos dois sentidos?
Do Carmo fez questão de dizer que tem palavra.
Quanto a Ratinho Junior, diante dos relatos políticos e das movimentações dentro de seu grupo, fica a suspeita de que essa reciprocidade nem sempre exista.
Enquanto isso, Sandro Alex continua tentando transformar a enorme estrutura política construída pelo grupo em votos.
E talvez o eleitor esteja percebendo algo que a propaganda não consegue esconder: existe diferença entre aquilo que o governo anuncia e aquilo que realmente chega às cidades.



